Arquivo Folha‘Retorno do filho pródigo’Raí, aqui ao lado de Zinho na Copa de 94, volta a ser lembrado pelo técnico ZagalloHá quatro anos fora da Seleção Brasileira, desde a partida semifinal da Copa de 1994 contra a Holanda, a volta de Raí não tem nenhum sentido de revanche como muitos poderiam imaginar. O jogador foi acordado de madrugada por um telefonema de sua cunhada Dunia e seu irmão Raimar, uma chamada de Ribeirão Preto (SP) logo após terem ouvido as declarações na televisão do técnico Zagallo sobre a sua convocação para o amistoso do dia 25 contra a Alemanha. Raí recebeu a notícia em Paris com muita satisfação e serenidade.
Ele explica sua convocação como algo desejado, mas jamais teve muitas ilusões de que isso fosse ocorrer. Em todo caso, decidiu manter-se apto para poder responder a essa convocação, considerando uma honra participar desse grupo, mesmo que seja apenas para a partida contra a Alemanha. Ele está satisfeito também com a chegada de Zico na coordenação técnica da Seleção, seu ídolo no passado, e por ser alguém respeitado e de muita credibilidade fora e dentro do Brasil: ‘‘Ele dará segurança à Seleção, além de transferir uma visão de campo muito importante.’
Logo cedo Raí se apresentou ao treinador Ricardo Gomes, no centro de treinamento do Paris Saint Germain, fazendo questão de transmitir a notícia em primeiro lugar a seus colegas de clube antes que eles pudessem ser informados pela imprensa. Sua convocação se deve a esse período de regularidade técnica que tem atravessado no Paris Saint Germain e para isso colaboraram os jogadores do clube: ‘‘Por isso fiz questão de agradecer a eles em primeiro lugar’’. Raí, atualmente em boa forma técnica, apesar das dificuldades de sua equipe, ídolo da torcida do Paris Saint Germain, poderá constituir a dose de experiência, responsabilidade e respeitabilidade, que a seleção de Zagallo está tão necessitada.
Aos 32 anos, Raí jamais reclamou por ter sido esquecido durante quatro anos por Zagallo (sua última partida foi contra a Suécia nos EUA), mesmo porque ele entende que isso seria uma falta de respeito aos demais convocados. Nunca se considerou um injustiçado ou perseguido pelo técnico. Ele sabe que essa chance é muito importante: ‘‘Estamos na reta final e os testes são cada vez mais raros’’. Se foi chamado agora, véspera da partida contra a Alemanha, é que a direção técnica, Zagalo e também Zico, novo coordenador técnico, acreditam que ele possa ajudar a resolver problemas técnicos ainda não inteiramente solucionados.
Raí acredita que poderá repetir na Seleção, o que tem feito no Paris Saint Germain, jogando como meio-campo ofensivo, ajudando na ligação e na armação de jogadas, mas tendo também liberdade para finalizar.

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