São Paulo - Admirador confesso dos princípios da Revolução Francesa (Liberdade, Igualdade e Fraternidade), Raí se prepara para fazer uma revolução no esporte brasileiro Esse é o objetivo do ex-jogador de São Paulo, Paris Saint-Germain e seleção brasileira com o curso técnico para gestão esportiva que está preparando em conjunto com o Centro Paula Souza, órgão que administra as Escolas Técnicas (Etecs) e Faculdades de Tecnologia (Fatecs) estaduais em São Paulo, para ser implantado em 2012
Raí fundou com o também ex-jogador Leonardo e preside há 12 anos a Fundação Gol de Letra A organização foi reconhecida pela Unesco como instituição modelo no trabalho com crianças e adolescentes e atualmente atende mais de 1 200 pessoas nas comunidades carentes da Vila Albertina (São Paulo) e do Caju (Rio) Mas Raí quer mais Quer disseminar o conhecimento que acumulou em sua fundação Por isso, passou a se dedicar à formação de profissionais do esporte
''No Brasil, o esporte não tem vários níveis de formação como a medicina, por exemplo, em que você tem o médico, o enfermeiro, o assistente de enfermagem Há toda uma cadeia que se complementa No esporte, ou o cara é um grande esportista ou entra na universidade para ser professor Estamos atrasados em relação aos outros países'', afirmou Raí
Entre 1993 e 1998, Raí morou em Paris e não aprendeu apenas que para uma equipe ter sucesso é preciso que os jogadores possuam disciplina tática, ou que a organização fora dos campos influencia, e muito, o desempenho dos atletas Lá, ele aprendeu a ver o esporte com outros olhos, como uma importante ferramenta de transformação social ''A grande injustiça do Brasil são as oportunidades de formação Quando eu morava na França, o filho da minha empregada frequentava a mesma escola e o mesmo médico que a minha filha A diferença de salário era infinita, mas as oportunidades eram as mesmas Isso virou uma referência de justiça social para mim'', contou
Sendo assim, ele acredita que um curso técnico gratuito nas escolas estaduais servirá para democratizar o acesso ao esporte e, consequentemente, mudar a vida de muitos brasileiros ''O objetivo é que esses educadores sejam agentes de transformação da cultura de atividade física no seu bairro'', explicou ''Se bem implementado, o curso vai fazer uma revolução e estimular a prática esportiva, além de usar o esporte como um meio de interação social e cidadania ''
Raí quer aproveitar a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, ambas no Brasil, para pôr em prática seus ideais Ele acredita que esses eventos poderão ser usados para inaugurar uma nova era no esporte brasileiro ''Acho que o grande legado social e esportivo será transformar a cultura da atividade esportiva do País Precisamos ter uma visão mais ampla e democrática, e não só olhar para o alto rendimento Esse equilíbrio é o grande desafio que teremos nos próximos anos Se pensarmos só no hexacampeonato mundial e em medalhas na Olimpíada, não estaremos aproveitando essa chance única'', disse
E, mais uma vez, ele usa a França como referência O período de cinco anos em que morou lá foi justamente quando o país se preparou para organizar a Copa de 1998 ''A França teve um trabalho enorme de preparação, foram criados vários centros de formação Eles tiveram um resultado muito bom não só porque ganharam a Copa, mas porque a estrutura dos clubes e a formação dos atletas sofreu um impacto muito grande'', lembrou Raí

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