Raí e Leonardo criam fundação para carentes
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sexta-feira, 11 de dezembro de 1998
Gabriela Athias Agência Estado 
Os jogadores Raí, do São Paulo, e Leonardo, do Milan da Itália, lançaram ontem, no Salão Nobre do Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi, em São Paulo, o projeto Fundação Gol de Letra, que atenderá 210 crianças e adolescentes carentes a partir do ano que vem.
A nova organização não-governamental (ONG) segue uma linha de trabalho testada e aprovada pelas mais importantes instituições brasileiras do gênero. O diferencial desse projeto é o seu alcance na mídia e, consequentemente, na sociedade. O plus da Gol de Letra é a comunicação, diz Sérgio Mindlin, presidente da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança.
O lançamento foi uma amostra da influência dos dois jogadores na sociedade. A primeira-dama paulista, Lila Covas, que acompanha os exames de saúde do governador Mário Covas, foi representada por Maria Lúcia Alckmin, mulher do vice-governador. O empresário Antônio Ermírio de Moraes participou do vídeo de apresentação do projeto com Viviane Senna, presidente da Fundação Ayrton Senna.
Além de personalidades do esporte, estiveram presentes representantes de fundações e dos mais importantes projetos sociais do País, além do reitor da Universidade Federal Paulista (Unifesp), Hélio Egídio Nogueira. Emissoras de rádio e televisão mandaram equipes para ouvir um dos maiores ídolos do futebol brasileiro pedir aos empresários que ajudem o País a reduzir as desigualdades sociais: Precisamos acelerar o processo de democratização das oportunidades, disse Raí.
O objetivo dele e de Leonardo é criar um projeto-modelo e chamar o governo e, principalmente, a sociedade para ajudar a solidificá-lo. A dupla investiu US$ 1,2 milhão e vai continuar a destinar ao projeto parte das verbas obtidas em campanhas publicitárias. O governo do Estado cedeu um prédio onde funcionará uma das sedes do projeto, em Vila Albertina, zona norte de São Paulo. A Unifesp dará assessoria no atendimento à saúde das crianças. A fundação terá outra sede em Niterói, no Rio de Janeiro.
A pré-escola do projeto atenderá 11 crianças de até 6 anos em período integral, com linha pedagógica baseada no socioconstrutivismo (teoria fundamentada no desenvolvimento humano e no processo de alfabetização).
As cem crianças de 7 a 14 anos que participarão de atividades de apoio à escolarização terão aulas de reforço escolar e cultura geral. Também farão artes cênicas, dança e principalmente esportes.


