São Paulo, 26 (AE) - Aos 34 anos e na reserva, Raí garante que não vai abandonar os campos de futebol quando seu contrato com o São Paulo terminar, em maio, mas sabe que pode ser obrigado a deixar o Morumbi. Afinal, não são poucos os dirigentes que querem sua saída. Alguns se manifestaram, nas últimas semanas, contra a permanência do jogador, embora sempre com muito respeito.
Maior ídolo tricolor na década de 90 e um dos grandes nomes da história do clube, Raí admite que pode encerrar a carreira em outra equipe. "Estou bem e penso em jogar, pelo menos, até o fim do ano", diz. "E, como ocorre com todos, posso atuar em outro time caso não renove o contrato com o São Paulo."
Se tivesse de escolher, no entanto, o meia gostaria de permanecer no clube que lhe deu fama internacional. "Minha maior alegria foi em 1992, quando conquistamos o mundial interclubes (vitória sobre o Barcelona por 2 a 1, em Tóquio, com dois gols de Raí)", diz o atleta, que garante estar feliz no São Paulo. Ele também foi um dos responsáveis pelos dois títulos da Libertadores da América, em 92 e 93.
Os fãs e os dirigentes preocupam-se, porém, com a atual condição do craque, que não repete as grandes atuações do passado. "O Raí é uma figura maiúscula e se confunde com a história do São Paulo e, por isso, qualquer coisa feita a seu respeito tem de ser bem pensada", comenta Carlos Augusto de Barros e Silva, conselheiro e candidato à presidência do São Paulo. "Hoje ele não está produzindo o que nós estamos acostumados a ver", admite Barros e Silva. "É preciso, no entanto, tomar cuidado para que ele não seja exposto a uma situação em que a torcida comece a vaiá-lo."
O conselheiro, que tem boas chances de ser eleito presidente do clube - vai concorrer com Carlos Kherlakian ou Paulo Amaral -, não decidiu o que fazer com o craque caso assuma o poder. "O Raí é quem deve fazer esta avaliação", explica. "Como são-paulino, não gostaria, contudo, de vê-lo atuando em outro clube, como o Corinthians."
Raí não atuou nas últimas partidas do Torneio Rio-São Paulo. Ficou no banco e chegou a entrar na equipe no fim do jogo contra o Botafogo, há duas semanas, quando o São Paulo foi derrotado por 2 a 0, no Morumbi. A explicação do técnico Levir Culpi para não colocar o atleta em campo é a condição física, que ainda não é ideal. O preparador Carlinhos Neves diz que o meia precisa recuperar a forma, que nunca mais foi a mesma depois da contusão que sofreu no joelho direito, em 1998.
Mesmo assim, Levir ainda prestigia o jogador e pretende utilizá-lo no Campeonato Paulista. "O Raí tem experiência e dá qualidade para o meio-de-campo", analisa.
ANIVERSáRIO - Segunda-feira, a Fundação Gol de Letra, que atende 150 crianças e adolescentes da região do Tremembé, em São Paulo, comemora o primeiro aniversário. A entidade foi criada por Raí e Leonardo, do Milan. A fundação vai lançar uma campanha para expandir os programas assistenciais. "Queremos mais pessoas participando do nosso trabalho", explica Raí.

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