O lateral-direito Rafinha viveu até os últimos instantes a expectativa de defender a seleção brasileira na Copa do Mundo. Na lista de espera do técnico Luís Felipe Scolari, ele acabou de fora, mas nem por isso deixou de torcer e muito pelo Brasil na estreia de ontem com vitória diante da Croácia.
O jogador do Bayern de Munique reuniu amigos em seu bar, o Chaplin, em Londrina, para a companhar a partida e viu um domínio croata no início. Enquanto conversava com a reportagem sobre como era assistir ao jogo de fora e ver a chance de disputar o mundial bater na trave, veio um golpe inesperado. "Claro que a vontade era de estar presente. Mas estou muito feliz de ter sido convocado entre os 30 e p...", interrompeu, soltando um palavrão. Era o gol contra marcado por Marcelo em favor da Croácia. "Vamos voltar, vai. Eu queria estar participando, claro, mas estar entre os trinta já é um troféu muito grande. Como já estive na seleção, sei o sentimento, a tensão, a pressão do povo brasileiro em cima da Seleção. Tratando-se de seleção brasileira e jogando no Brasil, a gente sabe que será duríssima essa caminhada", apontou.
Com o gol sofrido, o Brasil precisou correr atrás do empate, mas não conseguia criar. A tensão era grande, até que Neymar acertou um chute no canto do goleiro croata. Explosão de alegria. "Todos nós jogadores que estivemos na seleção ao longo dessa caminhada até a Copa e ficamos de fora temos a ciência que temos uma parcela da seleção e temos que torcer todos para que o Brasil faça um bom mundial", explicou Rafinha
Na torcida brasileira também estava o zagueiro David Lopes. Porém, o jogador que está sem clube, aproveitou o duelo para matar a saudade, ainda que de longe, de ex-companheiros de clube. Ele jogou por três anos na Croácia e teve como parceiros seis dos 11 titulares em campo ontem, entre eles o meia Modric e os brasileiros naturalizados Eduardo da Silva e Sammir. "Infelizmente eles perderam algumas peças importantes, mas o time é muito bom. É uma molecada que joga há muito tempo junto. Acho que dá para a Croácia chegar longe, aposto que classifica junto com o Brasil", disse.
Veio o pênalti duvidoso em cima de Fred e novamente a explosão de alegria com a cobrança e o gol de Neymar. Quando o jogo se encaminhava para o final, com uma pressão grande croata, aconteceu o gol de bico de Oscar, para alegria do fiel escudeiro de Rafinha, Tibúrcio do Faustão, que havia trocado mensagens com o coordenador técnico da Seleção, Carlos Alberto Parreira, antes do jogo, dizendo que seria 3 a 1 para o Brasil. "Fiquei ali rezando pra fazer esses gols. Se perdesse hoje (ontem), iria virar uma bagunça", contou antes de gabar-se pelo acerto. "Sou pé quente. Aliás, sou o maior pé quente do Bayern de Munique", disse o amigo do lateral, que é o professor de dança oficial dos companheiros de clube do jogador.
Já Rafinha falou aliviado após o apito final. "Eu já sabia que seria difícil assim porque o time todo da Croácia joga em grandes equipes europeias. Graças a Deus veio a virada, o que importa é o resultado. Começamos com o pé direito", concluiu o jogador, que esteve em São Paulo ontem visitando a seleção brasileira.

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