Rádio ainda está vivo entre jovens
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sexta-feira, 23 de junho de 2006
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
O radinho de pilha ''velho de guerra'' ainda não saiu de moda e está presente até entre os jovens. Hoje, logicamente, o rádio está disponível em várias versões mais modernas, como minúsculos walkmans e discmans, aparelhos digitais que também tocam MP3 ou mesmo em alguns polivalentes celulares, que, entre as múltiplas funções, também sintonizam AM e FM.
Mas o bom e velho rádio com antena ainda não desapareceu entre os jovens. Uma prova disso é que um grupo de alunos do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Maxi, em Londrina, não teve o menor constrangimento de levar para a escola um ''radião'' como eles mesmo definiram para ouvirem atentos a alguns jogos do Mundial da Alemanha. O rádio foi o recurso que os fanáticos torcedores encontraram para poder acompanhar ao vivo aos resultados durante o horário em que estão na aula, de manhã.
O jogo que teve maior índice de audiência foi Argentina 6 x 0 Sérvia e Montenegro. A turma do rádio ouvia e aos poucos ia passando o resultado para os outros a cada gol que a Argentina marcava. ''Quando estamos na aula e não dá para ficar ouvindo, a gente também consegue ficar sabendo dos resultados pelo celular (torpedos ou e-mails)'', comentou Rodrigo Romanha, 17 anos.
Felipe Daudt França, o ''Café'', 18, explica que a maioria ouve as transmissões em aparelhos com fone de ouvido. ''Mas teve um cara que trouxe aqui um rádio, tipo aqueles de ombro, daí colocou na roda pra todo mundo ouvir'', contou. Ele disse que teve influência do pai e do avô para gostar de ouvir rádio.
Romanha e seu colega Gabriel Montagna, 17, também admitiram que o hábito dos pais acabou levando-os a aprenderem a sintonizar as emissoras que transmitem futebol. ''Meu pai é daqueles que chega a abaixar o volume da tevê para ouvir a narração pelo rádio. É que muitas vezes é difícil ouvir os comentários do Cléber Machado ou do Galvão (Bueno) na tevê'', explicou Romanha, o mais interessado do grupo, que escuta tanto a Rádio Globo quanto a Jovem Pan.
Mais contido, o estudante de cursinho Giancarlo Dalla Costa, 19, inicialmente não queria aparecer nas fotos, mas aos poucos foi se soltando e conversando com a reportagem. ''Gosto de ouvir, mas tem cara que é fanático, que ouve até na aula'', entregou.
Gusthavo Cianca, 17, completa o grupo dos corajosos que não se intimida de ouvir as notícias da Copa na hora do intervalo. Corajosos é bom explicar porque o gosto por rádio poderia ser visto como ''mico'' entre a moçada. ''Não tem nada disso. Cada um curte o que gosta e hoje tem muitas maneiras de ficar ligado no que está acontecendo'', disseram. ''No dia em que o Bussunda morreu, por exemplo (sábado de manhã), ficamos sabendo antes de todo mundo. Quando contamos para o pessoal, a maioria não acreditou. Acharam que a gente estava de gazação'', lembrou Romanha.


