São Paulo - O juiz Marcos Zilli concedeu no início da noite de ontem liberdade provisória ao jogador argentino Leandro Desábato, acusado pelo são-paulino Grafite de ofensas racistas, mediante pagamento de fiança no valor de R$ 10 mil. Desábato foi detido na madrugada de ontem pelo delegado Osvaldo Nico Gonçalves, do Garra (Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos), nos vestiários do Morumbi, após jogo entre seu time, o Quilmes, e o São Paulo, pela Libertadores o São Paulo venceu por 3 a 1.
Desábato foi enquadrado por crime de injúria qualificada com agravante de racismo, que tem pena prevista de um a três anos de reclusão pode ser convertida em pena alternativa.
Porém, a libertação não é total. Desábato pode voltar ao hotel, mas ainda não poderá voltar para a Argentina. Ele terá que aguardar uma autorização especial, que será emitida por outro juiz.
O delegado Dejar Gomes Neto, que ouviu depoimento de Desábato, no 34º DP (Vila Sônia), na zona sul de São Paulo, disse que o atleta admitiu ter feito ofensas racistas a Grafite no jogo de ontem, no Morumbi. De acordo com Gomes Neto, o argentino teria chamado Grafite de ''negrito'' e dito a ele que ''enfiasse uma banana no (...)''.
Segundo anúncio feito ontem pelo presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), Nicolás Leoz, em São Paulo, Desábato está suspenso preventivamente por uma partida na Copa Libertadores da América. A suspensão poderá ser ampliada, mas vai depender do relatório do árbitro da partida e do delegado da confederação presente ao jogo. ''Antes de receber os relatórios não se pode falar em punição'', afirmou Leoz ao deixar o prédio do 34º DP.
Exemplo O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, disse ontem que o Brasil está dando um exemplo ao mundo ao punir o zagueiro argentino. ''No esporte, só há lugar para o entendimento e a confraternização entre as pessoas. As diferenças ficam por conta apenas dos confrontos nos gramados'', afirmou o dirigente.
O técnico da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira, também censurou a atitude do jogador argentino no jogo do Morumbi. ''Em um mundo globalizado, não se entende uma atitude como essa, ainda mais no esporte que sempre foi um campo no qual se exercita a liberdade e a igualdade'', disse o técnico, que não comentou se a prisão do jogador do Quilmes poderá provocar uma retaliação dos argentinos no clássico entre as duas seleções, em junho, no Estádio Monumental, em Buenos Aires, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2006.
Parreira, que escala uma seleção brasileira titular formada quase que inteiramente por negros, disse que, no mundo atual não há lugar para demonstrações de racismo. ''Alma não tem cor. Toda manifestação de racismo deve ser condenada'', disse o treinador.

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