Racismo ainda incomoda mundo do esporte
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de maio de 2008
Julio Cesar Lima<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Conhecido por ser um estado de colonização predominantemente branca, com a maioria vinda do Centro e do Leste Europeu, os clubes do Paraná tiveram, assim como em todo o resto do país, resistências em aceitar atletas negros em seus quadros, não apenas no futebol. No ano em que se comemora 120 anos de abolição da escravatura, os movimentos negros tentam por meio de seminários, palestras e trabalhos sociais trazer à tona essas discrepâncias e também buscar melhorias por meio do esporte.
Em Curitiba, a história dos três maiores clubes da cidade sempre foi alvo de discussões, afinal de contas ninguém gostaria de ser considerado um torcedor do time da elite nos dias atuais.
Apesar dos poucos registros históricos dessa época, é sabido que os primeiros times a aceitarem negros em seus quadros eram os clubes mais identificados com as classes trabalhadoras e humildes, como o Palestra, Britânia e também o Ferroviário, que apesar de ter inúmeros atletas com vínculos junto à Rede Ferroviária Federal, também mantinha em seus quadros a elite branca que comandava a engenharia e obra das ferrovias.
Fundado por um grupo dissidente do Clube Teuto-Brasileiro, de origem germânica, o Coritiba logo ganhou a fama de ser um clube de alemães, mas surpreendeu a muitos quando contratou Moacir, atleta com passagem pelo Palestra, em 1931. Segundo os registros do clube, em 1941, Bananeiro e Janguinho, conhecidos como os irmãos Ferreira trocaram o Ferroviário pelo Alviverde.
Já o rival Atlético, fundado em 1924, teve seus primeiros registros de atletas negros logo após a sua fundação, sendo alguns deles, Urbino e Bororó, além Raul Rosa, chegado do Rio Grande do Sul, vindo do Internacional.
Brigas à parte, ambas as equipes tiveram suas restrições até que todos os atletas, indiscriminadamente fossem aceitos em seus quadros. Com o passar do tempo e o fenômeno do Vasco da Gama no Rio de Janeiro, quando, formado por um time repleto de negros e mulatos venceu os brancos Flamengo, Botafogo, América e Fluminense, e quebrou um paradigma dos campos de futebol, o país não teve mais como negar que o futebol teria que ser olhado sob outro ângulo.
O movimento contra o racismo tomou forma e desde 2006 a CBF editou resoluções que punem os clubes que praticarem ou tolerarem atitudes racistas em seus quadros ou com torcedores.
No Paraná, o Instituto Brasil-África encampou a campanha nacional e deu início a um movimento com atividades e a entrada de uma faixa pedindo o fim do racismo no esporte, na partida final entre Paraná e Adap-Campo Mourão, em 2006. Foi uma oportunidade que tivemos de mostrar ao estado que nós podemos fazer a nossa parte nos gramados, disse o coordenador do movimento, Saul Dorval da Silva. O instituto quer agora manter esse trabalho e promover no segundo semestre um seminário nacional para abordar o tema.


