Raciocínio, estratégia e principalmente estudo
Dizem os entendidos do assunto, que jogar xadrez não se resume apenas em saber mexer as peças. É importante estudar as jogadas, por meio de livros que trazem desde estratégias elementares até conceitos avançados. De acordo com o mestre Carlos Martins, uma partida está dividida em três momentos básicos: abertura, meio e fim. Ele afirma que cada etapa possui uma peculiaridade, sendo a abertura quando as peças estão sendo distribuídas pelo tabuleiro.
Ele explica que o início é o momento em que o enxadrista deve estar mais atento, muito estudado pelos adeptos do xadrez de alto nível, em competições. É comum encontrar mestres que chegam a estudar até 20 lances, detalha Martins, com intuito de criar armadilhas para surpreender o adversário.
A educadora Vera Pissinatti exemplifica que os iniciantes utilizam muito uma jogada chamada E4. Ela diz que significa mover o peão uma casa à frente do rei abrindo espaço para a passagem do bispo. Isso cria a possibilidade de fazer outra jogada, chamada italiana, que consiste em montar estratégias movimentando o cavalo e o bispo. Tem outra muito parecida, mas com movimentos em casas diferentes que é conhecida como Rui Lopes, detalha.
Ela considera a abertura da partida até o 14º lance e desta parte em diante é o meio jogo onde passam a predominar combinações e sacrifícios. Para ela, as estratégias servem para trocar peças de maior por menor valor, conseguir uma posição melhor no tabuleiro ou arriscar xeque-mate.
Mas todas as jogadas implicam de alguma forma em consequências e Vera explica que a falta de conhecimento de algum tipo de abertura pode deixar a defesa aberta. Segundo ela, isto enfraquece a posição de peças como rei e rainha e facilita a ação do ataque adversário. As duas formas mais comuns de jogar nessas horas são material (reduzir peças do adversário) ou posicional (defender criando ciladas contra o oponente), detalha.
Depois de armado o circo, Carlos Martins conta que o jogador com maior vantagem material deve preparar o xeque-mate (ataque ao rei oponente sem escapatória). Ele explica que a jogada consiste em encurralar o rei adversário deixando-o sem possibilidade de fuga, cobertura ou ataque à peça que está ameaçando. Mas nada impede que o jogador com menos peças no tabuleiro vire o jogo e concretize um xeque-mate, adverte.
Vera acredita que aprender tantas artimanhas exige trabalho do cérebro que, acarreta no aumento da capacidade de raciocínio na hora de desenvolver qualquer outra atividade. Ela elenca três modalidades que exercitam de maneiras distintas o cérebro: xadrez relâmpago, o rápido e o pensado.
O xadrez relâmpago é disputado em cinco minutos e qualquer lance irregular leva o jogador a perder a partida. Na categoria rápido, que dura 25 minutos, a cada lance irregular o adversário ganha dois minutos para pensar, mas quando completar três jogadas desse tipo o oponente perde, explica a educadora.
Segundo Martins, o estilo convencional é um jogo pensado que dura entre duas e quatro horas, em média, podendo ultrapassar tal parâmetro dependendo da proposta dos jogadores. O que possibilita o desenvolvimento do raciocínio por meio do xadrez é a mecânica do jogo. Dá para comparar com o próprio corpo. Se você não pratica exercícios físicos as articulações travam. Com o cérebro é a mesma coisa. O xadrez age sobre o raciocínio ajudando a desenvolver a pessoa, analisa. (R.O.)





