São Paulo - Seis meses após a chegada da MSI, o Corinthians sofre um racha que atinge quase todas as suas áreas. A divisão afeta elenco, comissão técnica, departamento médico e diretoria. Entre os motivos de discórdia estão o dinheiro da parceira, apesar de ele não chegar na profusão esperada pelos dirigentes, os métodos de trabalho de Kia Joorabchian e a disputa por poder.
''O racha no clube é total porque a parceria está agindo de maneira errada. Dirigente não pode dar palpite no trabalho do técnico e até de fisiologista. Também não pode sair para jantar com jogador, isso provoca ciúmes nos outros'', disse o vice-presidente Antonio Roque Citadini.
Ele é um dos exemplos da divisão na cúpula causada pela chegada da parceira. Ficou contra a assinatura do contrato e foi afastado do departamento de futebol, numa atitude que agradou a outro vice, Nesi Curi, seu desafeto. Andrés Sanchez, que assumiu seu posto no futebol, também simboliza o racha. Participou de reuniões com a oposição e publicamente manifestou-se contra a permanência de Daniel Passarella. Não engoliu o afastamento de Fábio Costa, trazido por ele.
A decisão de Passarella de tirar o goleiro distanciou boa parte do elenco do técnico. O treinador também não tem a simpatia de seus comandados na comissão técnica porque, ao ser contratado, queria montar sua equipe.
O departamento médico rebelou-se contra a parceria por causa da tentativa de trazer de volta ao clube Joaquim Grava. Sanchez negociou o retorno do médico, que estava disposto a retirar o processo contra o Corinthians. Com a revolta dos funcionários, o negócio esfriou.
Mas a paz não reinou no departamento médico. O fisiologista Renato Lotufo queixou-se de Kia com diretores. Disse que o iraniano interferiu na sua área indicando suplementos alimentares.
No elenco, a divisão ficou escancarada após as brigas de Tevez com o meia Carlos Alberto e com o zagueiro Marquinhos. Assim que a MSI chegou, os jogadores que já estavam no clube demonstraram ciúmes em relação a Tevez, dono do maior salário do time. Pediram reajuste. Alguns foram atendidos.
O presidente corintiano, Alberto Dualib, sofre com as divisões políticas mais do que anteriormente. Antes da chegada da MSI, nomeara conselheiros da oposição no Conselho Deliberativo para pacificar o clube, historicamente conturbado nos bastidores.
Passarella O treinador Daniel Passarella continua no comando do time do Corinthians, pelo menos até hoje. Após várias horas reunidos na sala do presidente Alberto Dualib, na sede do Corinthians, ontem, os dirigentes do clube não chegaram a uma conclusão e resolveram adiar a definição sobre a permanência ou a demissão do treinador para a manhã de hoje.
Mas o Corinthians já negocia com Emerson Leão. O treinador, que está no Vissel Kobe, do Japão, recebeu telefonemas de pessoas ligadas à cúpula corintiana um dia após o jogo com o Figueirense, pela Copa do Brasil.

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