São Paulo - A questão dos aeroportos também causa desconforto. Vários deles já tiveram as obras - de reforma e ampliação de terminais, pistas e pátio, em sua maioria - iniciadas. Em outros, as melhorias continuam apenas nos projetos. Dinheiro parece não faltar, pois o governo se comprometeu a investir exatos R$ 6.5 bilhões na área. O desencontro, porém, permanece. Há um grupo, composto por institutos, entidades de classe e políticos, que mantém a aposta de que não dará tempo para que tudo fique pronto. O governo insiste que os prazos serão cumpridos.
No início da última semana, no Rio de Janeiro, parlamentares integrantes da Subcomissão Temporária da Copa de 2014 voltaram a dizer que é preciso acelerar o ritmo das obras, do contrário os aeroportos brasileiros não comportarão a demanda esperada para o Mundial. ''Nenhuma cidade está dentro do prazo. Obras que ainda nem começaram já deveriam estar na metade'', criticou, por exemplo, Romário, deputado pelo PSB-RJ.
A ''grita'' dos parlamentares obrigou o governo a reagir. E a repetir o discurso otimista adotado quando se toca no tema. ''No nosso controle, nos dados que temos do governo e da Infraero é que todos (os aeroportos) ficarão prontos a tempo e hora'', rebateu o ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil, Wagner Bittencourt. Ele foi mais longe. ''Algumas (obras) podem ser entregue até antes, em outubro''. No último balanço dos preparativos para a Copa, divulgado em setembro, oito das 13 intervenções têm previsão de conclusão para dezembro de 2013.
O que pode ajudar é a disposição do governo de entregar à iniciativa privada a gestão dos aeroportos. Já foi definido o modelo dos editais de concessão para os aeroportos de Cumbica, Viracopos e Brasília. Pelo documento, os concessionários terão metas a cumprir, tanto de investimentos (R$ 4,47 bilhões até a Copa), como de entrega das reformas necessárias para atender à demanda do Mundial, sob pena de multas pesadas pelo não cumprimento. O governo estima realizar o leilão ainda em dezembro e considera haver tempo suficiente para que o Brasil chegue à Copa navegando em céu de brigadeiro. Mas sabe que muita coisa terá de ser feita até lá. (A.L./A.E.)

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