'Quero um time que vista a camisa'
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segunda-feira, 20 de junho de 2005
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
São 42 anos de vida, quase 30 de futebol e um semestre pela frente que pode mudar os anos que virão em sua vida. Este é o técnico Roberto Fonseca, que tem a missão nos próximos meses de levar o time que o revelou para futebol de volta à Série B do Campeonato Brasileiro. Ele sabe bem a missão que lhe está reservada. Sabe a pressão que virá e diz que está preparado para suportá-la. Tem outro desafio também. Conquistar o acesso pode significar também um salto para a carreira do técnico, que tem um currículo elaborado quase todo no interior paulista, em equipes inexpressivas.
Articulado, de boa fala e cheio de frases de efeito, Fonseca diz que a única promessa que pode fazer é trabalhar. ''Não adianta ter só inspiração, tem que ter também transpiração. Se não conseguirmos os ingredientes não fazemos os omeletes. É preciso buscar os ovos'', lançou durante a apresentação ao seu novo clube. Confira entrevista do treinador à Folha.
Folha: Você sabe que existe uma pressão em Londrina pelo retorno à Série B já neste ano. Como você encara isso?
Roberto Fonseca: A pressão sempre existirá, principalmente quem trabalha em prol de uma camisa como a do Londrina. Isso existe, mas não só para o Londrina, mas como em todas as equipes que caíram da Série B. Então, todos têm essa meta de voltar para a Série B.
Folha: Você jogou por muito tempo aqui. Como você acha que será essa receptividade? Acha que terá um tratamento diferente por parte da torcida?
Fonseca: De maneira alguma. Eu acredito que será dentro de uma normalidade, como qualquer outro treinador que tivesse vindo de São Paulo ou outra região. A cobrança é a mesma, os objetivos são os mesmos. E, como profissional do futebol, já estou acostumado com esse tipo de cobrança.
Folha: Você acha que isso ajuda ou atrapalha?
Fonseca: É claro que você é mais cobrado porque você, tendo um ciclo de amizade muito grande, estará sendo sempre cobrado. Mas eu, que já tenho praticamente 30 anos de futebol, estou preparado para isso também.
Folha: Você sabe das dificuldades financeiras. O time não tem dinheiro e você, provavelmente, terá um elenco limitado em mãos. Como é trabalhar com isso e montar um time forte?
Fonseca: Todo mundo tem as cobranças e as angústias de chegar numa Série B. Só que cada um vai buscar dentro das suas limitações. E, conhecendo a do Londrina, estarei dentro dessa limitação. Só que dentro disso espero montar um time que corresponda, que vista a camisa com profissionalismo pra buscarmos o nosso acesso.
Folha: O que dá para esperar desse novo Londrina sob o seu comando?
Fonseca: Primeiramente trabalho. Eu não gosto de fazer promessas. A única promessa que você pode fazer na sua vida é de trabalhar e daquilo que vai acontecer do seu trabalho a gente só saberá desse produto quando o time entrar em campo, quando começar a disputar os amistosos. É claro que trabalharei para colher os melhores frutos.
Folha: Qual a avaliação que você faz dos adversários do Londrina na primeira fase?
Fonseca: Difíceis, principalmente o Cene, que tem uma tranquilidade financeira muito grande. É uma equipe que tem bons jogadores, sabemos da qualidade. É a equipe mais forte. O próprio Operário tem muita tradição e é como o Londrina. Mesmo com todas as dificuldades sempre consegue levar jogadores que vistam a camisa à altura. Não tem facilidade. A Série C é um dos campeonatos mais difíceis. É decisiva desde a primeira partida. Nós entramos em quatro (times) e dois já estão desclassificados (na primeira fase) e depois disso são mata-matas. Então, é preciso uma equipe equilibrada, com experiência para poder aguentar essa cobrança, esse clima de que cada partida é uma decisão.


