Evaeverson Lemos da Silva, faz 29 anos na próxima terça-feira. Tem muitos motivos para comemorar, afinal, vive a melhor fase da carreira, acabou de ser vice-campeão francês, é pretendido por clubes brasileiros, e por aí vai. Até chegar onde está, passou por maus bocados. Em 2002, ele foi desbravar a Ucrânia e abrir as portas do país, que se reconstruía, aos brasileiros. Não sabe quem é?

Evaeverson é filho de um dos dois atacantes que formaram a dupla de ataque do Londrina naquele histórico Brasileirão de 77. Brandão foi um dos goleadores daquele que, dizem, foi o maior Tubarão de todos os tempos. Hoje, empresta seu nome ao filho, o novo xodó do Olympique de Marseille, onde atuou por 16 jogos e marcou 7 gols.

De férias em Londrina, Evaeverson, ou melhor, Brandão, curte o bom momento e se prepara para aquela que promete ser sua melhor temporada. ''Os meus objetivos são fazer os gols e chegar até à final da Champions League. Quero ser artilheiro e campeão francês e ainda tenho o sonho de chegar até a seleção brasileira'', contou, muito empolgado sobre os planos para a temporada 2009/2010.

Depois de seis anos no futebol ucraniano, Brandão se transferiu para o time francês no início do ano. Palmeiras e Corinthians o disputavam, até que o Olympique chegou com 6 milhões de euros e convenceu o presidente do Shaktar Doneskt, Rinat Akhmetov, considerado o homem mais rico da Europa, a vender o atacante.

Brandão nasceu em Brusque (SC), cresceu em Presidente Prudente (PR), mas gosta mesmo é de Londrina. ''Moro aqui porque Londrina é a melhor cidade do País para morar. Aqui tem de tudo, igual São Paulo'', justifica.

Começou a carreira no União Bandeirante, foi campeão da Segundona com o Grêmio Maringá, e chegou ao Iraty, onde conheceu o uruguaio Juan Figger. De lá, foi para o São Caetano, chegou à semifinal da Taça Libertadores, em 2002, mas não jogou. Figger o havia negociado com o Shaktar. O restante da história pode ser acompanhado abaixo, em entrevista exclusiva dada pelo atacante à Folha:

Folha: No fim do ano você foi alvo de muitas especulações envolvendo equipes brasileiras. Corinthians, Palmeiras, Fluminense, mas, de repente, acabou no Olympique. Como foi realmente que tudo aconteceu?
Brandão: Pois é. Minha vontade era de voltar ao Brasil. Fazia muito tempo que estava lá (na Ucrânia) já. Seis anos e meio. E eu tinha falado com o presidente com o treiandor, que estava na hora de sair. Já tinha conquistado tudo por lá. Fui artilheiro, tricampeão ucraniano, bicampeão da Copa da Ucrânia e achei que era a hora certa de sair. Falei com a minha família, que é o maior auxílio que a gente tem. Graças a Deus minha família me orientou muito bem. Tive propostas do Palmeiras, do Corinthians e do Fluminense. A minha vontade era voltar mesmo, mas chegou essa proposta do Olympique, que despertou uma coisa de muito tempo atrás, que era um sonho de jogar num time grande da França. E o presidente do Shaktar não iria me emprestar, só me vender e, com isso, com uma conversa de uma, duas semanas acertamos. Eu tenho uma história no Shaktar e hoje estou feliz no Olympique''.

Folha: Você esteve perto realmente de algum clube brasileiro?
Brandão: ''Tive perto do Palmeiras. Tinha acertado contrato e tudo. Mas dependia da resposta do presidente ainda, porque o Palmeiras queria me emprestar sem valor estipulado, queria de graça e aí ficava difícil. Pintou o Olympique, com seis milhões de euros''.

Folha: Você se adaptou muito rápido à França?
Brandão: ''A dificuldade é no começo. A língua não foi tanto. Falo inglês, falo russo e até o ucraniano. Tem um zagueiro brasileiro lá (no Olympique), o Hilton, e as coisas ficam mais fáceis. Graças a Deus o grupo me acolheu muito bem e tive um entrosamento bem rápido com eles''.

Folha: Quais as diferenças do futebol francês para o ucraniano?
Brandão: ''São muitas, a visibilidade, o campeonato é bem mais forte do que na Ucrânia. Sem desmerecer o Dínamo e o Shaktar, mas são só as duas equipes que têm possibilidade de bater com os grandes times da Europa. Mas o campeonato ainda tem um nível abaixo da Itália, França, Espanha ou Inglaterra''.

Folha: Como você recebeu a conquista do Shaktar na Uefa logo quando você saiu?
Brandão: ''Fiquei muito feliz. Eu queria que eles realizassem o sonho do presidente, que era ganhar o título''.

Folha: Você se considera campeão também?
Brandão: Ah, no ano passado eu disputei a Champions League (a eliminação na Liga dos Campeões levou o time para a Copa Uefa), mas acho que cabe ao presidente e aos jogadores. Claro que fiz uma parte sim, mas hoje estou no Olympique''.

Folha: Você teve um bom começo no Olympique, mas pegou a temporada já na metade. O que você espera no próximo ano, quando pegará a temporada inteira e com a Liga dos Campeões?
Brandão: ''Os meus objetivos são fazer os gols e chegar até à final da Champions League. Quero ser artilheiro e campeão francês e ainda tenho o sonho de chegar até a seleção brasileira''.

Folha: Você ainda tem esperança de uma reviravolta para a Copa de 2010 ou já pensa no próximo ciclo?
Brandão: ''Tenho esperança ainda. Tudo pode acontecer. Aquele que você acha que está fora pode estar dentro e, quem está dentro, pode estar fora. A vida é assim''.

Folha: O que pode te levar à seleção?
Brandão: ''Um bom início da Champions League e manter a mesma sequência de gols. Assim, o treinador (Dunga) vai olhar com carinho. Sem contar a visibilidade do Campeonato Francês''.

Folha: Fale um pouco sobre aquela época em que você chegou à Ucrânia. Era um período complicado e você desbravou o país, pois não tinha nenhum brasileiro.
Brandão: ''Era um começo difícil. A União Soviética estava em conflito, os países se separando. Tava tudo destruído, não tinha supermercado, não tinha nada. Era um contraste muito grande com o Brasil. Saí do Brasil com 21 pra 22 anos, sem ter noção de nada internacional. Pensei que (a Ucrânia) era o mesmo que uma Alemanha, uma Espanha. Deu seis meses e fiquei com vontade de voltar para o Brasil. Pela língua, por não ter nenhum brasileiro disputando o campeonato. Foi muito difícil pra mim. Aí minha família foi para lá, ficou um pouco comigo. No início até entrei um pouco em depressão. Agradeço a Deus por ele ter me dado orientação e paciência para chegar onde estou''.

Folha: Qual foi a principal dificuldade?
Brandão: Língua, comida, costumes. A gente não pode levar o Brasil a outro país e eu tive esse discernimento para me adaptar à cultura deles.

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