O Londrina, em pouco tempo, estará de volta à Série B do Campeonato Brasileiro. Ao menos no que depender do prefeito eleito Barbosa Neto. Em entrevista à FOLHA, na última quinta-feira, ele deu declarações de encher os olhos e os ouvidos dos torcedores mais fervorosos e esperançosos do Tubarão. Para começar, escolheu como consultor, para elaborar o projeto esportivo de sua gestão, o ex-diretor técnico do Atlético-PR, Antônio Carlos Gomes, que é de Londrina e possui doutorado na área de treinamento esportivo.
Barbosa afirma que Gomes poderá funcionar também como um articulador de bons contatos na esfera governamental e junto à iniciativa privada, pela experiência adquirida ao longo de anos na gestão do rubro-negro de Curitiba. ''Ele é membro do COI (Comitê Olímpico Internacional), tem assento no Conselho da Unesco e pode nos ajudar muito. Ele tem uma credibilidade e um 'know-how' muito grandes, que podem ajudar bastante a nossa cidade'', afirmou o futuro chefe do Executivo.
Barbosa não revelou quem será seu comandante na Fundação de Esportes de Londrina (FEL), mas garantiu que fará ações e buscará recursos para reerguer as modalidades de alto rendimento que estão esquecidas na cidade, como o vôlei feminino - que já teve time na Superliga.
Garantiu que Londrina voltará a disputar e a sediar os Jogos Abertos do Paraná (JAP's) - como a FOLHA antecipou na sexta-feira - e rasgou elogios ao Tubarão. Disse que com sua influência como prefeito pode ajudar no resgate do clube, que há duas semanas caiu para a Segunda Divisão do futebol paranaense.
Empolgado, o futuro prefeito, que deve assumir somente no dia 3 de maio, chegou a arriscar que espera ver o Londrina retornar à Série B dentro do seu mandato - que vai até 2012. O time disputará recém a Série D do Campeonato Brasileiro, a partir de julho.
Barbosa esbanjou confiança ao falar da adesão da cidade ao Alviceleste. ''O Londrina andará sozinho depois que dermos o primeiro empurrão. É só ganhar dois jogos seguidos numa competição importante que no próximo jogo coloca 12 mil pessoas no Estádio do Café'', comentou.

FOLHA - Londrina está fora dos Jogos Abertos desde 2005, quando a prefeitura decidiu retirar a cidade da competição. Qual seu plano em relação a isso?
Barbosa - Temos o fundador dos JAP's, o professor Reynaldo Ramon, mas infelizmente não temos mais a representação na Divisão A, como tínhamos. Com certeza Londrina vai voltar à competição e vai sediar os Jogos.

FOLHA - Quem vai nomear para presidir a Fundação de Esportes?
Barbosa - Vamos discutir com a comunidade esportiva para achar a pessoa que melhor se encaixe nesse perfil. Por enquanto, temos como parceiro o Antônio Carlos Gomes, que será o nosso consultor. Ele fez o nosso projeto para a área esportiva, mas pelos compromissos que já tem, não pode assumir a parte executiva. O importante é que ele, enquanto membro do COI e do COB, vai nos ajudar muito lá em cima (no governo federal) podendo, inclusive, com bons projetos, alavancar recursos para a nossa cidade. O Antônio Carlos vai dar o 'start' para o início dos trabalhos e continuará supervisionando as ações que o presidente e a diretoria irão executar.

FOLHA - Quanto às equipes de alto rendimento de Londrina que já lotaram ginásios, mas hoje estão em baixa, o que você imagina para ajudá-las?
Barbosa - Sou extremamente favorável ao esporte, seja de alto rendimento, de base, de formação ou de lazer. O esporte tem sua função social e tem acima de tudo a possibilidade de gerar renda, mesmo quando o time não está bem colocado na competição. A Prefeitura vai ser parceira, por meio da FEL, na busca de dar toda a assistência necessária e esses projetos de alto rendimento vão ser dinamizados pelo poder público, pode ter certeza.

FOLHA - De que forma? Com quais recursos?
Barbosa - Tenho conversado muito com o Ministério do Esporte e sei que mesmo com o contingenciamento de verbas e a crise econômica mundial afetando o orçamento do esporte, temos grande possibilidade de atrair recursos para cá e também de buscar parcerias com empresas e entidades. Algumas já estão até encaminhadas, mas não posso falar os nomes. São projetos do Vagner (fundador do Instituto Vagner Nunes, que apoiou a campanha de Barbosa), que podem dar uma alavancada no esporte local, não só no vôlei, mas também em outras modalidades. Londrina tem público, tem a cultura de gostar de esporte, lota ginásios.

FOLHA - Em relação ao Londrina, você vê uma forma poder ajudar o time da cidade enquanto prefeito?

Barbosa - Conversei com o presidente Peter Silva, vim conversando hoje (quinta-feira) no avião (de Brasília) com algumas autoridades, o senador Osmar Dias, o ministro Paulo Bernardo e outros deputados, e todos são apaixonados pelo Londrina e querem ajudar o clube. Vamos tentar buscar o apoio de empresários locais. O apoio político de um prefeito é decisivo. Vamos buscar formas de auxiliar Londrina já agora na Série D e tentar colocar o time de novo, ainda na nossa gestão, pelo menos na Série B. É um sonho nosso. Como temos (no governo) um profissional com credibilidade (Antônio Carlos Gomes), o Londrina poderá arrumar parceiros interessantes.

FOLHA - Você costuma frequentar os estádios...
Barbosa - Sou um apoixonado pelo Londrina. Até durante a campanha não deixei de ir aos jogos no Estádio do Café (tirou a carteira para mostrar ingressos do Paranaense 2009). Vou e levo às vezes também os meus três filhos.

FOLHA - Só a influência política do prefeito dá resultado?
Barbosa - Qualquer influência que ele puder exercer é importante. Seja apoiando o time, dinamizando parcerias, estando presente de forma direta, indo ao estádio, viajando com o time. A gente vê aí a situação de outros clubes de Santa Catarina, como o Avaí, que estava numa situação complicada e conseguiu se reerguer. Vamos lutar para que o Londrina possa alcançar um lugar de destaque. Porque depois que dermos o primeiro empurrão o time anda sozinho. É só ganhar dois jogos seguidos numa competição que no próximo jogo coloca 12 mil pessoas no Café.

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