QUERIDINHO DA TORCIDA - Tencati sonha em colocar LEC de volta na Série B
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segunda-feira, 20 de maio de 2013
Thiago Mossini<br>[email protected] 
Em dois anos no cargo, Claudio Tencati experimentou de tudo no comando técnico do Londrina. Visitou o céu algumas vezes, mas deu uma passadinha no inferno também. Foi o "melhor" técnico do mundo e o "pior" algumas vezes. Foi vaiado e ovacionado. Sobreviveu a tudo, fez história como um dos treinadores que mais tempo passou por aqui e como o cúpido, que selou o casamento do time com a torcida novamente, após um período de "desquite". "Olha, a minha maior alegria aqui é essa reaproximação da torcida", revelou.
Agora, Tencati se prepara para aumentar essa história que já escreveu. Quer botar o Tubarão na Série C do Brasileiro, o primeiro dos degraus que projetou subir com o clube. "Nós podemos fazer degraus. Até falei para os jogadores. Eles ficam pensando em jogar a Série C a B. Por que não transformamos o Londrina nesse clube? Cabe a nós e ao investidor, o Sérgio (Malucelli). Por que não subir agora para a C e depois um projeto anual para a B?", afirmou.
Em entrevista exclusiva à FOLHA, o treinador fala da mudança que teve em relação à temporada passada, das alegrias e cobranças no clube e porque o torcedor pode confiar no acesso:
Qual a diferença do Tencati do ano passado para o atual?
Estou bem mais maduro. Procuramos organizar melhor a questão pessoal e profissional. A forma de lidar com um clube de massa, torcida, imprensa, com os jogadores, que também passam por esse processo de dúvida, questionamento. Cabe a nós dar tranquilidade, confiança para desempenharem o melhor trabalho. A minha saída para acompanhar jogos de Série A, B, C e a ida com o Vanderlei (Luxemburgo, técnico do Grêmio, com quem estagiou), em Porto Alegre. Além dos trabalhos que desenvolvemos com a psicóloga. Minha mudança de comportamento do ano passado para esse ano foi da água para o vinho.
Você é um dos técnicos que mais tempo ficou no cargo no Londrina. Fora isso, foi um dos responsáveis por reaproximar o time da torcida. Qual feito foi a sua maior alegria?
Olha, a maior alegria é essa reaproximação da torcida. Procuro valorizar com os jogadores essa questão da torcida. Londrina merece. Para mim foi uma alegria imensa ver o Estádio do Café lotado de novo. Quando consegui conquistar a meta foi um alívio muito grande, que foi a Copa do Brasil e a Série D (do Brasileiro). Era um compromisso enorme com o clube e foi feito. Tiramos um peso das costas que carregamos em relação ao ano passado.
E o que te deixou mais p. da vida?
Um momento de dúvida que abriu questionamento. Foi aquela sequência Paraná/Arapongas/Cianorte. Houve um princípio de conturbação. Ficou a indagação. Não cheguei a falar vou embora, vou largar, mas ficou a dúvida: será que vamos conseguir? Será que vai acontecer tudo de novo? Mas sustentamos, reequilibramos e conseguimos.
Você já fez história no LEC, mas subir o time no Brasileiro seria fincar o nome de vez. É o teu sonho?
A Série C é um calendário anual que o clube ganharia, teria um planejamento totalmente diferente. O acesso é muito importante e o Londrina almeja voltar a recuperar vaga na Série B. O Barueri deu essa demonstração, foi campeão da Série C depois da B e foi para a A. O Londrina está acreditando muito. A gente vai investir de uma forma, talvez não seja da forma que queremos porque está difícil, mas ficou uma base e acredito que com ela podemos brigar pelo acesso.
Você pensa em ser o responsável por galgar esses degraus?
Vejo que sim. É um alvo. Até o ano passado eu cheguei a me perguntar se não era o momento de deixar o Londrina. Mas pensei comigo: é uma questão de honra colocar o Londrina no Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil. Nós podemos fazer degraus. Até falei para os jogadores. Eles ficam pensando em jogar a Série C a B. Por que não transformamos o Londrina nesse clube? Cabe a nós e ao investidor, o Sérgio (Malucelli). Por que não subir agora para a C e depois um projeto anual para a B? Na minha opinião a Série C é mais fácil que a D.
Por que o torcedor pode acreditar no acesso?
Pela manutenção da maior parte do elenco. Eu tinha a preocupação imaginava que Celsinho, Germano, Diogo, Danilo não permaneceriam. Vejo que a segurança é essa, além das contratações. Temos a base do paranaense com os reforços. Então, vejo que podemos nos tornar uma equipe mais forte.
E o que pode atrapalhar?
É o que temos que trabalhar logo. A partir de uma conquista, você tem os egos aumentados por parte de todo mundo. E temos que tomar cuidado para não cairmos no erro que caímos quando ganhamos a segunda divisão. Entendíamos que o elenco com uma ou outra contratação era suficiente e nos enganou. Agora também não podemos nos enganar. Analisar os prós e contras desse grupo. Pedimos contratações e ao mesmo tempo temos que trabalhar essa questão emocional, o mesmo foco do estadual, com companheirismo, respeito, unidade. Se o grupo não estiver coeso, não chega.


