O ano era 1958. Enquanto o mundo vivia o conturbado período da Guerra Fria, com as disputas entre a antiga União Soviética e os Estados Unidos, o Brasil vivia a ''Era JK'', com Brasília sendo construída para abrigar a nova sede do poder e com o crescimento da economia, mas ainda chorava e lamentava a perda do Mundial realizado no País oito anos antes. E quis o destino que neste ano ''nascesse'' para o futebol quem mais tarde se tornaria rei e também que o mundo conhecesse o país que dominaria o esporte dali para frente.
O Brasil fez da Suécia sua casa e conquistou seu primeiro título mundial em cima dos anfitriões com uma sonora goleada por 5 a 2. O mundo se rendia ao show de Garrincha, Pelé, Nílton Santos, Didi, Vavá e companhia. E entre eles estava o então lateral-direito Nilton de Sordi.
''Foi maravilhoso. Uma coisa impressionante. Tudo que queríamos era vingar a Copa de 50 e ganhar na casa do adversário. Foi um espetáculo. Saímos de lá (da Suécia) consagrados'', relembra o ex-jogador, que viu a vida mudar depois da conquista. ''Passamos a ser respeitados. Jogador de futebol tinha fama de malandro e o título trouxe respeito. Fomos homenageados em vários lugares. Portugal, Recife, São Paulo...''
De Sordi esperava desde 1950 pela oportunidade. Por isso, talvez, queria tanto o título. ''Eu jogava no XV de Piracicaba e por isso era difícil ser convocado, mas o Flávio Costa (técnico) marcou no caderninho dele. Em 54 fui relacionado entre os 40, mas acabei não indo. Até que em 58, já no São Paulo, fui convocado e ganhei a disputa com o Djalma Santos (Portuguesa) e o Cacá (Botafogo-RJ)'', contou. ''Num amistoso contra o Paraguai, no Maracanã, ganhamos de 5 a 0 e eu fiquei com a vaga no time''.
Contusão O destino porém não foi tão bom com De Sordi. Ele foi titular durante toda a Copa, mas justamente na decisão abriu espaço para Djalma Santos. Na época, os boatos eram de que ele não teria conseguido dormir à noite devido à ansiedade e por isso teria sido substituído. Ele, porém, dá outra versão. ''Estava com uma distensão na coxa direita e não eram permitidas substituições. Pedi para sair para não prejudicar o time. Fiquei decepcionado. Falaram que eu amarelei'', explicou.
Na memória, ele guarda com saudades os momentos que passou com aquele grupo e tem um carinho especial, por exemplo, pelo técnico Vicente Feola, pelo na época dono da TV Record, Paulo Machado de Carvalho, que foi também o chefe da delegação e pela dupla Pelé e Garrincha. ''O Garrincha era uma pessoa simples, humilde e que só fazia palhaçada'', contou.
Guarda também o melhor jogo que fez, em sua avaliação, com a camisa da seleção. ''Foi contra a Inglaterra. Ali também começamos a ganhar a Copa'', apontou. De Sordi fez 25 jogos pela seleção brasileira.
O ex-lateral também tem outra marca na carreira que não esconde de ninguém. Nunca marcou gols enquanto jogou profissionalmente. ''O máximo que consegui foi acertar a trave num jogo contra o Corinthians'', brincou. (T.M.)

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