Quenianos querem fazer a festa em SP
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sábado, 30 de dezembro de 2000
Agência Estado De São Paulo 
A festa da São Silvestre deverá ser, mais uma vez, dos atletas do Quênia. Pelo menos, esse é o pensamento dos próprios quenianos: Paul Tergat, tetracampeão e grande favorito na prova masculina, e Lydia Cheromey, atual campeã entre as mulheres. Sou a favorita, disse categoricamente Cheromey. Tergat também sabe que é o maior candidato ao primeiro lugar do pódio, mas preferiu adotar um discurso mais cauteloso após o primeiro treinamento que fez em São Paulo, ontem, no Parque do Ibirapuera. Não gosto de pensar que sou favorito, porque a pressão cresce em cima de mim; na Olimpíada, a pressão de patrocinadores (o principal é a Fila, empresa italiana de materiais esportivos), técnicos e amigos foi muito forte e acabou me prejudicando.
Tergat, que esperava ficar com o ouro na prova dos 10 mil em Sydney, foi, mais uma vez, derrotado pelo seu grande rival nas pistas, o etíope Haile Gebrselassie. Segundo o queniano, a medalha de prata não pode ser desprezada, embora admita ter uma certa decepção com o resultado. A partir do próximo ano, ele passará a competir em maratonas (42,195 quilômetros). A estréia será no dia 22 de abril, em Londres. A São Silvestre servirá também como uma etapa de sua preparação para 2001.
Especula-se que Tergat receberá US$ 300 mil para participar da Maratona de Londres. Ele não gosta de falar em valores, mas confessa que já ganhou dinheiro suficiente para levar uma vida tranquila e abrir negócios em seu país onde é ídolo do povo. É dono de uma companhia de transportes e comercializa produtos agrícolas. Ainda patrocina 12 crianças, com bolsas escolares e alimentação.
Aos 31 anos, Tergat ainda não pensa em encerrar a carreira. Neste ano, ele pode sagrar-se campeão da São Silvestre pela quinta vez e se igualar, em número de conquistas, ao belga Gaston Roelants, ao colombiano Victor Mora e ao equatoriano Rolando Vera. Espero ganhar e voltar no próximo ano para ser hexacampeão. A única pessoa a conseguir tal feito foi Rosa Mota, de Portugal, que venceu a corrida feminina por seis vezes de 1981 a 1986.
Os principais concorrentes do astro queniano são o seu compatriota John Gwaco, Phaustine Baha, da Tanzânia, e os etíopes Tesfaye Tola e Tesfaye Jifar. Entre os brasileiros com chances estão Marílson dos Santos, que ficou em quarto no ano passado, Vanderlei Cordeiro de Lima e Émerson Iser Bem, vencedor da prova em 97.
OrgulhoLydia Cheromey, 24 anos, se diz feliz por ter sido convidada para disputar sua terceira São Silvestre. A queniana acredita estar preparada para repetir o feito do ano passado, quando ganhou a prova com facilidade. Os seus últimos resultados comprovam isso. Há duas semanas, ela venceu o Cross Country de Bruxelas.
Embora não seja tão idolatrada em seu país como Tergat, Cheromey também já fez sua independência financeira. Cria gado em sua fazenda no Quênia e tem uma loja de computadores. Suas principais concorrentes são a compatriota Leah Kiprono, a equatoriana Martha Tenório e as brasileiras Márcia Narloch e Cleusa Maria Irineu.


