Quenianos escondem estratégia
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sábado, 11 de dezembro de 2004
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Ao contrário do próprio país, no Brasil Quênia se escreve com ''qu'' e as passadas rápidas de atletas que fazem história em corridas como a São Silvestre. Quatro corredores quenianos representantes da elite do atletismo estão em Londrina para participar da Prova Pedestre Cidade de Londrina, que será realizada amanhã, às 9 horas.
Os quenianos estão para o atletismo como os brasileiros para o futebol. Essa é apenas uma razão para que sejam tratados como ídolos na terra do samba. Em Londrina, Lawrence Kiprotich, 20 anos, vencedor da Volta Internacional da Pampulha, em Belo Horizonte, Mathew Cheboi, 22, e as mulheres Peninah Likomori, 19, e Teresia Kipchumba, 22, respectivamente a segunda e terceira colocadas na prova mineira, foram recebidos com uma entrevista coletiva.
Toda vez que se fala nos quenianos, a admiração pelo desempenho nas provas é acompanhada de uma pergunta: ''Qual a fórmula do sucesso desses atletas?''
Fora o mito que ronda os africanos acostumados a correr em altitudes acima dos 2,8 mil metros, cientificamente falando, possuem mais fibras brancas, o que lhes dá uma capacidade extra de velocidade.
''Além disso, esses garotos correm de 10 a 12 quilômetros no trajeto de ida e volta da escola'', justificou Moacir Marconi, o Coquinho, treinador dos atletas, que treinam em Nova Santa Bárbara (70 quilômetros ao Sul de Cornélio Procópio).
''Eles treinam em Nova Santa Bárbara, graças ao apoio que recebi do município. Há três anos, apresentei um projeto de esporte, que desenvolvo com 150 crianças. Alguns são talentos, que já representaram o Paraná em algumas provas'', destacou o treinador, que mantém duas casas em Nova Santa Bárbara, sendo uma para atletas brasileiros e outra para quenianos.
''Estou me sentindo bem para a prova. Pretendo correr o mais rápido possível'', escondeu o jogo Kiprotich, que não vê problema em não conhecer o percurso da corrida.
Os quatro quenianos participam da edição da São Silvestre. Atletas, como Kiprotich, e que na avaliação do treinador ''dão um show quando correm''. Show que os londrinenses poderão assistir amanhã. Talentos made in Quênia com ''qu'' e que conquistaram os brasileiros, que estarão torcendo também pelos quenianos na São Silvestre. Estão aí os moradores de Nova Santa Bárbara, que já se acostumaram a vê-los correndo 25 quilômetros por dia pelas ruas da cidade, para garantir essa torcida.


