Quenianos dominam a Maratona de São Paulo
São Paulo, 23 (AE) - Os quenianos dominaram a prova masculina da 5.ª edição da Maratona Internacional de São Paulo, que teve largada na Praça Charles Miller, no Pacaembu, e chegada no Parque do Ibirapuera. A vitória foi de Paul Yego, com o tempo de 2h15min20, novo recorde da prova, que reuniu 8.800 corredores e teve uma temperatura média de 14º graus. O piauiense José Teles de Souza foi o brasileiro mais bem colocado, terminando em quinto lugar, com 2h16min00, atrás de quatro representantes do Quênia.
Teles correu o tempo todo no grupo dos quenianos, que só assumiu a liderança no quilômetro 37. Antes disso, os brasileiros estiveram à frente, com Eduardo Nascimento, Francisco Damião Oliveira e Luiz Antônio dos Santos (vencedor da primeira edição da maratona), que liderou a prova durante 16 quilômetros.
Paul Yego garante que os quenianos não fizeram nenhum trabalho de equipe para ocupar as quatro primeiras colocações. "Nos encontramos por acaso no quilômetro 16, quando pegamos água, e acabamos correndo juntos", lembra o corredor, de 31 anos, ganhador da Maratona de Catânia, no ano passado. "No fim da corrida, senti que estava melhor e forcei o ritmo."
Teles comemorou muito a quinta colocação na primeira maratona de sua carreira. Especialista nos 5 mil e 10 mil metros e na meia maratona (21,1 quilômetros), o ex-operador de empilhadeira passou por momentos difíceis na prova, principalmente no Túnel Tribunal de Justiça, quando sentiu as "pernas pesadas". Mesmo assim, teve fôlego para terminar em quinto lugar, atrás somente da legião queniana, formada por Paul Yego, Geoffry Letting, Kipkemoi Cheruiuot e Joseph Cheromei.
O maratonista, que mora no Bairro do Morro Grande, na zona oeste da Capital, preparou-se durante três meses para a prova de ontem. Ele treina numa reserva florestal, que fica no quilômetro 24 da Rodovia Anhanguera. Profissional do atletismo, Teles defende o clube Cubatão e tem o patrocínio do Memorial, um cemitério vertical de Santos.
Dono de um carro Gol 83, o corredor pretende vender o Palio ganho ontem por ter sido o brasileiro mais bem colocado na prova. "Quero vender, na verdade, os dois carros", diz. "Vou fazer um caixa e comprar um carro mais novo do que tenho hoje."
Desabafo - O fluminense Luiz Antônio dos Santos, ganhador da medalha de bronze na maratona do Mundial de Gotemburgo, em 1995, e bicampeão de Chicago, reclamou hoje de falta de respeito. Ele disse que não foi convidado para participar da prova e por isso fez questão de só confirmar presença na corrida no sábado. Não recebeu cachê nem ficou no hotel oficial. "Foram buscar atletas no exterior e eu não mereci ser convidado na prova, a qual venci na sua primeira edição", protesta.
"Sou mais respeitado fora do País do que aqui dentro."
O diretor-geral da competição Victor Malzoni Júnior disse que Luiz Antônio não aceitou convites para correr em São Paulo nos últimos três anos. "Além de não ter competido nas últimas provas, conversei com o técnico dele, que me garantiu que o Luiz não estava preparado para correr uma maratona agora", lembra o dirigente, que ficou satisfeito com o nível técnico da competição. "A prova foi muito boa."
Para Malzoni Jr, a competição precisaria de mais recursos financeiros para crescer. "Realizamos apenas a quinta edição", diz. "Temos uma prova que custa um terço da Maratona de Nova York, orçada em US$ 700 mil."





