Muito simpáticas e acessíveis, Margaret, Anne e Josephine respondiam, em inglês, às perguntas sobre os hábitos das famílias no Quênia. ''Vocês aqui, ganhando dinheiro com premiações nas corridas, como é que fica depois que casarem? Os maridos deixarão vocês continuarem viajando e ganhando mais que eles? (a grande maioria das famílias vive da lavoura e poucos têm mais do que a 4série primária)''.
Elas responderam que se casarem com um atleta o que muitas vezes acontece não haverá problema algum. Se for outra pessoa, o ciúme não deve impedi-las de continuar competindo, já que o atletismo faz parte da cultura do Quênia. ''Assim como aqui no Brasil se prestigia o futebol, lá cada família geralmente tem um corredor. O biotipo e a genética deles são próprios para a corrida'', garante Coquinho.
Eles pegam o costume desde criança. Segundo Coquinho, um dos quenianos que passou por sua casa contou que corria todos os dias 32 quilômetros só para ir e voltar da escola, pela manhã e à tarde. ''Ela acabava fazendo todo esse trajeto correndo, para chegar mais rápido. Foi aí que pegou o hábito de correr em vez de andar'', diz Coquinho.
Se sofreram na infância por falta de transporte escolar, por outro lado os quenianos acabaram desenvolvendo uma resistência que hoje os torna quase imbatíveis nas ruas e avenidas das principais cidades do mundo. Que o diga o pentacampeão da São Silvestre, Paul Tergat, que, aos 36 anos, ganhou no domingo passado a Maratona de Nova York. Para se ter uma idéia do sucesso que alcançou, Tergat cobra hoje um cachê US$ 150 mil para correr uma prova, segundo Coquinho.
Mesmo os quenianos jovens de Nova Santa Bárbara já vêm colhendo os frutos dessa ''tendência genética'' que herdaram para se sobressair no atletismo. Margaret, por exemplo, vencedora da Maratona de São Paulo em 2004, manda para sua família, em Eldoret, todo o dinheiro ganho nas corridas. Com isso, já conseguiu comprar 100 alqueires de terra em seu país. (J.K.)

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