Pra quem não conhece, Mateus é um jovem londrinense que estava na tarde de ontem no Estádio do Café. Tiquinho de gente ainda, Mateus vai achar que o mundo que há tão pouco ele habita é uma besteira só. No seu desamparo, ele ouviu tanto palavrão contra o Londrina que, se algum registro ficar na sua jovem cabeça, é capaz de nunca torcer para este time que envergonha a torcida e deixa os nossos domingos amargos.
Enquanto olhava para Mateus, meus olhos se desviaram para o semblante de minha filha no momento em que o juiz apitava o fim do primeiro tempo. Ela subiu até onde eu estava e me disse: ''Porra, pai, o senhor só me faz torcer pro time errado!''
Pois é: convidei minha filha para ir ao campo pra ver o Londrina depois dela me dizer que os seus amigos da escola vão sempre ver o Londrina. Chamou mais duas amigas e, juntando a minha lerdeza mais a lerdeza de três mulheres antes de sair, quando chegamos ao Estádio, com 10 minutos de jogo, o Londrina, como de praxe, já perdia por 1 a O. Dizem que jogo do Londrina deveria começar depois dos 5 minutos e terminar antes dos 45, assim poderia evitar algumas derrotas.
Mas, voltando às minhas convidadas, elas comeram pipoca doce, tomaram água, viram o jogo e ouviram... Ouviram muito palavrão. Também quem manda passar no meio da torcida organizada apinhada de homem.
E o Mateus, apenas um mês de vida, ali. Quando o Galo fez 2 a 0, com 10 jogadores, ele deu uma resmungada, algo como ''nunca mais eu volto aqui'' e começou a chorar. Não sei se de raiva ou de fome.
Eu cá com a minha cabeça inchada de dois domingos seguidos, olhei para aquele bebê bonito - e tinham tantas crianças em campo - que mamava feito um bezerro e pensei cá com meus botões: tomara que não seja um perdedor como o Londrina. E, enquanto o Mateus dá um arroto, um torcedor ao lado dá outro: ''Com um time desse não dá vontade nem de beber!''

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