São Paulo, 25 (AE) - A queda de placas de publicidade na pista
interrompendo a sessão de classificação, hoje em Interlagos, roubou um lugar certo de Rubens Barrichello na primeira fila do GP do Brasil. A opinião é do próprio piloto da Ferrari. Num treino em que aconteceu de tudo, até a desistência da equipe Sauber de Pedro Paulo Diniz de disputar a prova, Mika Hakkinen, da McLaren, conquistou mais uma pole position, com a impressionante marca de 1min14s111, recorde absoluto do circuito. Rubinho larga em quarto.
Se a corrida de amanhã tiver as alternativas da classificação de hoje, a 29.a edição do GP do Brasil será emocionante da largada à bandeirada. Hoje, em Interlagos, por duas vezes o treino teve de ser interrompido porque placas de publicidade da Marlboro caíram sobre o asfalto em frente a área de box. Não bastasse a situação pouco comum, choveu no fim do treino. Tem mais: alguns pilotos surpreenderam, como a excelente oitava colocação de Ricardo Zonta, da BAR, e o nono lugar de Jenson Button, da Williams, na sua segunda corrida na F-1.
Mas o que mais deixou até a torcida irritada foi a segunda paralisação da classificação. Rubinho estava numa volta lançada e sua primeira parcial, na projeção do tempo, lhe permitiria conquistar o segundo tempo. "Como na Austrália, foi muito azar." A exemplo do que ocorreu em toda a pré-temporada e em Melbourne, Michael Schumacher, terceiro no grid, foi apenas um décimo de segundo mais veloz que o brasileiro, com 1min14s508 contra 1min14s636 de Rubinho. O escocês David Coulthard, da McLaren, fez o segundo tempo, 1min14s285.
Os pilotos reclamaram bastante de tudo o que se passou hoje em Interlagos, com as placas. "Eu nunca vi isso na minha vida", afirmou o bicampeão do mundo, Mika Hakkinen. Schumacher lembrou o perigo a que ficou exposto Jean Alesi quando uma dessas placas caiu bem à sua frente, danificando o aerofólio dianteiro do carro. Rubinho lamentou também: "Estou decepcionado, com certeza eu largaria na primeira fila." Quando os carros voltaram para a pista depois da segunda bandeira vermelha, a que interrompeu a classificação, o asfalto estava molhado.
Os cinco minutos finais demonstraram que se amanhã chover as chances da Ferrari e de Rubinho vencer serão mesmo maiores. Ele foi o mais veloz, com 1min24s, enquanto todos os outros pilotos giraram na casa de 1min27s. A previsão do tempo diz que as chances de chover amanhã na hora da competição são de 70%.
Depois de ver quatro aerofólios traseiros de seus carros quebrarem quando Pedro Paulo Diniz e Mika Salo estavam a plena velocidade, Peter Sauber decidiu retirar a equipe suíça da prova
alegando falta de segurança. "Eles são bons para fazer relógio", disse irritado Diniz. A Rede Globo transmite ao vivo as 71 voltas do GP do Brasil, cuja largada será às 14 horas.