Que vergonha Ferrari!
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de maio de 2002
Agência Estado 
Spielberg, Áustria - Nunca uma vitória, como a de ontem na Áustria, custou tão caro para Michael Schumacher. O piloto da Ferrari foi vaiado no pódio e depois na sala de imprensa até pelos próprios alemães, enquanto seu companheiro Rubens Barrichello, segundo colocado e vencedor moral da sexta etapa do Mundial de F1, ficou com todas as honras. A manipulação de resultados, que aconteceu no circuito A1-Ring, pode causar a interferência da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) nas regras da categoria.
Recebi a ordem de deixar Michael me ultrapassar a três voltas do fim. Tentei ainda argumentar no rádio se aquilo seria mesmo necessário e ouvi que era uma ordem, revelou Barrichello, o melhor piloto de todo o fim de semana na Áustria.
Até Michael Schumacher não gostou de ter de cumprir a determinação do diretor-esportivo Jean Todt e do diretor-técnico Ross Brawn, os homens da Ferrari que decidiram que Barrichello deveria deixar o companheiro vencer o GP da Áustria. O piloto alemão talvez nunca tenha se sentido tão indesejado como na hora em que entrou na sala de imprensa e recebeu quase um minuto de vaia dos jornalistas, enquanto Barrichello pedia a todos que parassem.
Eu também tirei o pé do acelerador, sem saber o que fazer, tinha segundos para decidir e acabei atendendo à ordem da equipe, tentou explicar Schumacher, tão constrangido como jamais em qualquer das suas 58 vitórias na F-1. Esta foi uma conquista que não me deu a menor satisfação, mas temos de pensar em todo o investimento que é feito para a equipe ser campeã e esses pontos podem fazer falta no fim do campeonato, argumentou o alemão.
Barrichello ocupou o degrau do vencedor no pódio, ficou com o troféu dedicado ao primeiro colocado, oferecido por Schumacher, e na entrevista coletiva ocupou a cadeira do meio, destinado a quem vence a prova. Mas, oficialmente, o alemão cruzou a linha de chegada 182 milésimos à frente do brasileiro, somando dez pontos, contra seis de Rubinho.
Claro que não estou contente, mas disputei minha melhor corrida, estou vendo as coisas de forma diferente e tenho certeza de que ganharei algumas etapas nesta temporada, afirmou Barrichello.
Rubinho também lembrou que há poucos dias assinou um contrato com o time italiano por dois anos e, segundo ele, o documento diz, textualmente, que os pilotos devem aceitar as decisões da equipe.
Enquanto Schumacher foi vaiado pelo público e pela própria imprensa, Barrichello acabou aplaudido de pé pelos jornalistas, ao expor com delicadeza e profissionalismo, para não ferir ninguém, o porque de ter atendido à Ferrari. Já que ficou claro como trabalha nosso time, não vejo motivo para discutirmos se tiver de passar por isso novamente.
Hoje é esperado um pronunciamento do presidente da FIA, Max Mosley, a respeito da interferência da Ferrai no resultado final da prova. E na Itália, a Associação dos Consumidores anunciou que entrará com um recurso na Justiça contra o ocorrido na Áustria. Afinal, existe no país uma loteria que leva em conta a classificação dos pilotos nos GPs e o resultado da corrida foi claramente manipulado.
RESULTADO
1º Michael Schumacher, Ferrari, 71 voltas
em 1h33m51s562 (196,344 km/h
2º Rubens Barrichello, Ferrari, a 0s182
3º Juan Pablo Montoya, Williams, a 17s730
4º Ralf Schumacher, Williams, a 18s448
5º Giancarlo Fisichella, Jordan, a 49s965
6º David Coulthard, McLaren, a 50s672
7º Jenson Button, Renault, a 51s229
8º Mika Salo, Toyota, a 1m09s425
9º Allan McNish, Toyota, a 1m09s718
10º Jacques Villeneuve, BAR, a uma volta
11º Heinz-Harald Frentzen, Arrows, a duas voltas
12º Mark Webber, Minardi, a duas voltas


