Um 0 a 0 absolutamente lógico entre Santos e Flamengo na tarde chuvosa de ontem no Morumbi, pois o jogo foi semelhante a uma comédia pastelão, na qual todos, incluindo o árbitro, foram protagonistas. Excesso de passes errados, erros flagrantes nas raras finalizações, improvisações e substituições equivocadas, e infrações evidentes, que se assinaladas poderiam ter decidido a partida.
O Flamengo teve maior posse de bola no primeiro tempo,mas não sabia o que fazer, dada a ausência de criatividade em todos os setores. Mesmo os dois momentos dignos de registro, nessa etapa, foram atrapalhados. Aos 29 minutos, Victor Andrade fez pênalti em Leonardo Moura e o juiz ignorou. Aos 39, na única chance real de gol, Luiz Antonio acertou o travessão, Aranha e Paulinho se enrolaram, e Everton concluiu em cima de Jubal.
O Santos voltou mais organizado, em função do recuo exagerado do time carioca, e até pareceu que haveria jogo de verdade. Não rolou. Aos cinco, Chicão agarrou Geovânio na entrada da área, mas o árbitro não marcou a falta, e logo, deixou de expulsar o zagueiro, caso isso ocorresse. Durante praticamente meia hora, a bola ficou sendo maltratada, até que aos 30, em atitude desnecessária, Geovânio atingiu João Paulo por trás, e recebeu o cartão vermelho. Nessa, enfim, o juiz acertou. Mas aos 45, Wallace deu um abraço de urso em Jubal, e o homem não viu.
Para fechar a conta do festival de mediocridades, Paulinho concluiu livre, na pequena área, no travessão, desperdiçando a bola do jogo. Alguém dirá que os times estavam desfalcados e que chuva prejudicou. Mas essas são apenas desculpas tão esfarrapadas como a própria partida. Santos e Flamengo ganharam um ponto cada. Mas se houvesse justiça no futebol, ambos deveriam perder três.

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