Que a Era Tite continue
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de julho de 2018
Diego Prazeres 
Inevitável não falar de Copa hoje, ou melhor, da seleção e do quanto essa eliminação prematura pode render tanto quanto a prisão/soltura do Lula. E começo com o "anti herói" da vez, o nosso Fernandinho. Deploráveis e criminosas as manifestações de racismo contra o londrinense nas redes sociais. Que ele foi o pior jogador da seleção em campo, bairrismos à parte, não há dúvidas. Não apenas pelo gol contra, mas os passes e posicionamentos errados, marcação falha, enfim, uma jornada individual para se esquecer. Mas daí a atacar e ofender o jogador, reforçando aquela mania idiota do ser humano em geral, e do brasileiro em particular, de idolatrar e "vilanizar" em proporções exageradas, descompensadas até, não dá para tolerar. Fernandinho tem experiência e maturidade o suficientes para saber lidar com mais essa frustração a ponto de evitar que o mau momento em que sai da Copa influencie em sua carreira.
Quanto ao futuro da seleção, não há por que abortar a Era Tite, transformando a eliminação em cenário de terra arrasada. É inegável o legado do treinador, que precisa completar o ciclo para a próxima Copa. Inclusive com boa parte dos jogadores que sucumbiram diante da "ótima geração belga" (pra não perder o clichê), exceto, claro, os que já estão pra lá de 30, como o próprio Fernandinho, que em 2022 estará com 37 anos.
Seria uma baita lição de maturidade insistir com Tite, apesar dos erros também cometidos pelo gaúcho na Rússia, como por exemplo, a insistência com Gabriel Jesus e a forma com que "fechou" com seu time titular, sem abrir espaço para mudanças pontuais. Particularmente, não vejo nem nunca vi potencial suficiente para o Alisson, por exemplo, ser o titular. A maturidade que eu desejo, a própria torcida brasileira demonstrou em manifestações favoráveis à permanência do treinador nas redes sociais e no próprio desembarque no Rio.
Diferente de muita gente, acho que o Brasil só jogou mal mesmo no segundo tempo contra a Suíça. Mesmo na derrota para os belgas, a superioridade da seleção foi notória. Neymar? Não brilhou, mas não se escondeu. E a rigor, dos três melhores do mundo, nenhum arrebentou. É um desconsolo ver como nós, brasileiros, gostamos de atacar nossos ídolos. Fernando Calazans, um dos grandes veteranos do jornalismo esportivo, foi feliz em sua coluna no Globo ao lamentar que se condene mais as encenações de Neymar, motivos de inúmeros e hilários memes, do que as faltas, das mais brandas às mais feias, que ele inquestionavelmente sofre dentro de campo.
Meu pai do céu, espaço acabou e eu não falei do Londrina. Rapidão: a saída do Marquinhos Santos, que considerou o São Bento maior do que o Londrina, foi boa para o time. Era preciso um novo conceito tático na equipe. E torço para que o Dagol volte de fato e ajude a equipe a continuar a luta para evitar o rebaixamento. Tá provado que mais do que isso o Tubarão não pode oferecer. Boa semana.


