Quase alemão, Rink aposta no Brasil
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sábado, 29 de junho de 2002
Luiz Claudio Oliveira<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - O atacante Paulo Rink tem sobrenome alemão, tem cidadania alemã, fala alemão, joga no futebol da Alemanha há cinco anos e até já vestiu a camisa da seleção alemã de futebol, mas aposta na vitória do Brasil na decisão inédita da Copa do Mundo do Oriente. Rink é neto de alemães, filho de brasileiros, começou a carreira e foi ídolo no Atlético Paranaense, onde conquistou títulos e fez uma dupla famosa com Oséas até se transferir para o Bayer Leverkusen, em 1997.
Ele atua há cinco temporadas no futebol alemão. Depois de ter optado pela cidadania alemã, em 1988, foi convocado para a seleção e atuou em duas partidas das eliminatórias desta Copa do Mundo. Portanto, sabe o que fala ao analisar as possibilidades de Brasil e Alemanha. A seleção alemã não tem surpresa nenhuma a apresentar, todo mundo já viu que ela joga fechada na defesa, tentando os contra-ataques e cruzando muitas bolas na área adversária, diz o jogador que passa as férias em Curitiba até decidir qual será seu próximo destino.
Quando saiu do Atlético Paranaense, foi ao Bayer Leverkusen, onde ficou por quase quatro temporadas. Suas boas atuações, principalmente no início, o levaram a pedir a cidadania alemã e, em seguida ser convocado para a seleção germânica. Depois, teve uma passagem frustrada pelo Santos e retornou à Alemanha onde na temporada passada defendeu o Nurnberg que por pouco não foi rebaixado à segunda divisão da Bundesliga.
Rink afirma que não pretende mais voltar como profissional para o futebol brasileiro. Seu empresário, Juan Figger, está definindo a transferência para o Chievo Verona, que fez um bom campeonato italiano como estreante, ou para o Lion, que foi campeão francês.
O atacante, que também era especialista no jogo aéreo, não questiona as qualidades da Alemanha neste quesito. É importante não deixar cruzar, ou então ter uma forte marcação nos atacantes dentro da área, pois eles são muito perigosos, adverte. Além disso, ele avisa que os alemães correm muito, são rápidos e especialistas nos contra-ataques. Mas a maior qualidade da seleção alemã está, segundo Rink, no gol. O Oliver Khan é excepcional, mas quando um time tem o goleiro como melhor em campo, alguma coisa está errada, argumenta.
Ballack Paulo Rink, além de ter jogado na seleção alemã, foi colega de clube dos atacantes Schneider e Neuville, do goleiro reserva Butt, do volante Ramelow e do meia Ballack. O fato de Ballack estar suspenso por ter recebido dois cartões amarelos seria mais uma vantagem brasileira. Ele é incansável e está presente no campo todo, tem bom passe, cabeceia bem e é fundamental na seleção, acredita. Para ele, o substituto de Ballack deverá ser Sebastian Kehl, que também corre muito, mas não teria a mesma qualidade. Não tem jogador que substitua Ballack, afirma.
Apesar de ter os amigos jogando sob o comando de Rudi Voller, ele acredita que dará Brasil na decisão. Enquanto a Alemanha é aquilo que tudo mundo viu e não muda, o Brasil tem mais opções, mais criatividade e jogadores que desequilibram, como o Rivaldo e o Ronaldinho Fenômeno. No entanto, os brasileiros não podem achar que já ganharam pois, segundo Rink, os alemães são metódicos, eficientes e não desistem nunca.


