São Paulo - Paulo Baier continua o mesmo aos 40 anos, completados neste sábado, dia 25. O experiente jogador ainda comanda o meio de campo, dribla, arma o jogo e, de quebra, marca gols. Não à toa, a trajetória de Paulo Baier no futebol se mistura com a história do próprio Campeonato Brasileiro. Em 12 edições dos pontos corridos, o jogador fez 106 gols, tornando-se o maior artilheiro deste período.
Como capitão, Paulo Baier é o líder do Criciúma no Brasileirão. O meia tem um objetivo na reta final da temporada - provavelmente a penúltima como profissional: livrar o time do rebaixamento. Em entrevista, Paulo Baier relembra fatos da carreira e admite: pode virar técnico no futuro - para isso, contará com uma experiência vivida há 11 anos, quando foi auxiliar de Gilson Kleina no Criciúma por 29 dias.

Quando você tomou a decisão de deixar a lateral para atuar no meio de campo?
Eu joguei muito tempo como lateral, como ala. Quando eu voltei ao Goiás (em 2007), já existia o Vitor na posição. Comecei, então, a jogar pelo meio. Para mim foi tranquilo. Fiquei muito mais próximo do gol e isso facilitou bastante. Foi bem melhor em relação a marcar mais gols.

Você faz alguma preparação física especial por estar perto dos 40 anos?
Há quatro anos, eu mudei um pouco a parte de musculação e isso está fazendo a diferença para eu ainda jogar em alto nível. Pelo menos três vezes por semana eu procuro fazer um trabalho forte para ter o suporte e evitar lesões.

Você treina falta desde o início da carreira?
Eu costumo treinar bastante a bola parada depois dos treinamentos. Eu acho que esse tipo de lance faz diferença. Mas tenho de ter cuidado. Por exemplo, se eu treinar muita falta, fico cansado. Tento dosar.

Quais as dificuldades para conseguir mais destaque no futebol?
Eu divido a minha carreira em duas fases. Quando eu era chamado de Paulo César, passei por clubes como Botafogo, Vasco e Atlético Mineiro, mas eu tinha sempre contratos curtos e não consegui ter sequência. Quando eu voltei ao Criciúma, em 2002, fomos campeões brasileiros (da Série B), eu marquei três gols na final contra o Fortaleza e as coisas melhoraram. Nessa época eu troquei de nome, pois já tinha outro Paulo César no time.

Como você se sente sendo o artilheiro dos pontos corridos?
Muito orgulhoso, pois há grandes jogadores e eu, mesmo jogando um bom tempo como ala, consegui isso. Eu me orgulho muito dessa marca de 106 gols. Eu sei que um dia serei superado, mas eu pretendo, enquanto estiver na ativa, manter a artilharia.

Chegou a pensar em seleção brasileira?
Tive uma pré-convocação na época do Goiás (em 2005, quando Carlos Alberto Parreira era técnico). Entraria se tivesse um jogador machucado. Queria participar, era um sonho, mas não veio. Isso faz parte.

O pênalti de 2007, no Goiás, quando você errou duas vezes, sentiu a pressão?
Não foi fácil. Foi um dos momentos mais difíceis da minha carreira. O Goiás precisava ganhar para não cair. Achei melhor ficar fora, pois não tinha mais condições. Era melhor colocar outro jogador. Preferi fazer isso e deixar o Élcio bater. Deu certo.

Quais são os seus planos para 2015?
Eu não penso nisso agora. A gente está batalhando para conseguir o nosso objetivo de permanecer na Série A. Eu vou pensar nisso no final do ano, mas eu tenho pretensão de jogar mais um ano e acho que eu tenho condições. Eu gosto do que eu faço.

Quer continuar no futebol depois de encerrar a carreira?
Eu não pensei nisso ainda. Eu sou jogador ainda. Quando eu parar de vez, eu vou mudar o foco e buscar outro objetivo. Vou estudar, dar um tempo e decidir o que fazer.

Seria treinador um dia?
É uma possibilidade porque eu tenho contato muito grande com treinadores, eu faço uma observação e uma leitura boa dos jogos.

Alguns jogadores erram ao não pensar muito no futuro?
Estou no futebol há muito tempo e sei das dificuldades. Eu já fiz besteiras. Então eu tento passar esse aprendizado ao mais jovem. Orientar em relação a dinheiro, amigos, acho que é um dever ajudar os mais jovens.

O que você acha das ideias do Bom Senso FC?
Para mim o movimento veio no momento certo. O futebol estava se desgastando. O meu apoio é 100% para o Bom Senso.

Te chamaram para participar do Bom Senso FC? Você tem vontade?
Eu tive conversas, mas nunca fui chamado. E acho que o movimento é bem representado. Eles estão fazendo um grande papel.

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