Banheiros precários, gramado condenado, iluminação ruim, furtos de fiação, falta de cabines de imprensa e condições ruins de entrada e saída das pessoas. Um dos principais estádios do interior do Brasil, o Café já está quase um quarentão e sofre com a falta de uma reestruturação. Com a realização de mais um evento de grande porte, o jogo entre Londrina e São Paulo, na quarta-feira, trouxe à tona mais reclamações quanto às condições do local, que precisa de uma reforma.
É um mix de problemas estruturais com organizacionais. Além das instalações não terem passado por adaptações e readequações, a organização dos últimos grandes jogos falhou, como na última partida, quando a torcida do Tricolor foi colocada no pequeno espaço destinado aos visitantes. Foram vendidos mais ingressos do que cabia no local e muitos são-paulinos foram obrigados a assistir a partida de um barranco.
Os torcedores reclamam da falta de condições. Poucos e sujos banheiros e dificuldade para entrar no estádio são as principais broncas. Porém, os problemas vão além e passam pela baixa qualidade na iluminação, pela necessidade de troca do gramado que está condenado pela ação de pragas, principalmente no inverno, falta de segurança do entorno, com mato e muitos pontos sem iluminação.
A situação do gramado deve se agravar nos próximos meses. Isso porque o Cincão também usará o Café na disputa da Segundona. Amanhã, por exemplo, haverá rodada dupla no estádio, com Cincão x Roma, às 15 horas, e depois Junior Team x PSTC, às 18 horas.
O gestor do Londrina, Sérgio Malucelli, também está na bronca com a Fundação de Esportes de Londrina (FEL), pelas condições do estádio administrado por ela. Ele alega ter comprado resistências para os chuveiros dos vestiários e ter pago a manutenção feita horas antes do jogo no sistema elétrico que teve parte da fiação roubada novamente.
"Já cansei de reclamar com a Fundação. Tem um monte de coisa errada, mas a gente reclama e não adianta nada", protestou o dirigente, que tem interesse em terceirizar o estádio desde que o pegue já com o gramado e a cobertura do setor de cadeiras cativas trocados. "Tenho interesse desde que eles arrumem essas coisas. Se eu pegar assim eu estou pegando prejuízo. A cobertura está levantando, tem que trocar", disse.
No ano passado, foi aberta uma licitação para troca do gramado. O valor estimado era de R$ 450 mil. Porém, a concorrência foi cancelada por falta de dinheiro. Como os problemas ocorrem sempre no inverno, o time conseguiu jogar o Paranaense sem imprevistos. O Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) fez uma análise do gramado no mês passado e apontou a necessidade de troca.
O presidente da FEL, Giovane Élber não foi encontrado para comentar o assunto. Ele viajou ontem para Londres, onde acompanha a final da Liga dos Campeões da Europa, entre Borussia Dortmund e Bayern Munique. De lá segue para a Alemanha, acompanhado do Secretário de Esportes do Paraná, Evandro Rogério Roman, que conhecerá os gramados sintéticos da lá. Há um projeto para compra de 120 campos para todo o Estado.
O ex-jogador Alemão, funcionário da FEL responsável pelo Estádio do Café, pediu para comentar hoje o que a entidade pode fazer com relação aos problemas listados.
A FEL cobra R$ 2,5 mil pelo aluguel do estádio para jogos noturnos, R$ 2 mil para diurnos e R$ 500 para treinamentos.

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