Há duas semanas escrevi aqui que não desejava força ao Flamengo no triste episódio que vitimou para sempre 10 adolescentes das categorias de base do clube, mas sim às famílias de cada um deles. Passada a comoção nacional que a tragédia provocou em todos nós, as atitudes tomadas pela nova diretoria do rubro-negro, ou melhor, a falta delas, infelizmente está pondo em risco a imagem da instituição Flamengo no país. Do silêncio ensurdecedor dos cartolas, negando-se a dar explicações à medida que as informações relacionadas às condições de funcionamento do CT Ninho do Urubu vinham à tona até a desastrada negociação em torno da indenização proposta aos familiares dos meninos queimados, o clube exagera na inabilidade e na insensibilidade. É grande ainda a diferença do valor que o Fla oferece e o que os parentes das vítimas reivindicam. E aqui cabe dizer, embora até desnecessário, que para os pais, mães, avós, tios, irmãos e amigos dos 10 adolescentes rubro-negros não há dinheiro que pague o que passam e o que passarão até o fim de seus dias. A indenização é mera sensação de se buscar um consolo material para aquilo que somente a fé em algo maior poderá minimizar.
Um amigo me contou o que disse o técnico do Avenida, inexpressivo time gaúcho que foi eliminado da Copa do Brasil pelo Corinthians na última quarta-feira, após abrir 2 a 0 no placar, quando perguntado em entrevista como era ter perdido "o jogo da vida". A resposta: foi uma derrota dura sim, mas que no dia seguinte teria que ser assimilada porque haveria uma partida pelo campeonato estadual contra o Internacional, e que o "jogo da vida dele" foi perdido há 10 anos, quando seu filho morreu de leucemia. Esse treinador, como os que sobreviveram ao rompimento da barragem de Mariana e Brumadinho, e os familiares dos jogadores meninos do Flamengo, sabe o valor de uma vida. Ou melhor, todos eles sabem que não há o que pague a perda de uma vida. A diretoria do clube mais popular do Brasil, pelo jeito, não.
Espaço terminando, vale enaltecer o título do primeiro turno do Paranaense conquistado de forma inédita pelo Toledo. Que venha uma final do interior, cinco anos depois de o Londrina ter batido o Maringá. Boa semana.

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