Quando o esporte deixa de ser brincadeira
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quarta-feira, 20 de julho de 2011
João Fortes <br>Reportagem Local 
Para muitas crianças praticar algum tipo de esporte é simplesmente uma brincadeira a mais nos momentos de lazer. Já para outras o que antes começara como diversão se torna um compromisso, algo a ser levado a sério.
A todo momento as mais diversas modalidades esportivas revelam novos talentos. Grande parte deles têm algo em comum: desde cedo aprendem que é necessário muito esforço para conquistar os melhores resultados.
É o caso das meninas que fazem parte da equipe de ginástica rítmica da Unopar. Na categoria pré-infantil, por exemplo, são 10 atletas com idades entre 9 e 10 anos que já participam de competições estaduais e nacionais.
Entre elas, três são destaque na modalidade individual. Camila Concico é a mais nova, tem 9 anos. Ela começou a praticar o esporte aos 6. ''É muito legal, faço várias amigas. O que mais gosto é mexer com as argolas'', afirma Camila.
Quem também adora fazer parte da equipe é Beatriz Lolato, de 10 anos. Ela se encantou pela ginástica rítmica por meio da televisão e há dois anos entrou para a escolinha da Unopar. Detalhe: Já pensava em competição. ''Eu já queria competir e fiquei feliz quando entrei para a equipe'', conta Beatriz.
Outra que se diverte praticando o esporte é Heloísa Bornal, 10 anos, que pratica a ginástica desde os 6 e já participou de várias competições. A última foi nacional, realizada em Fortaleza. A menina conquistou a primeira colocação. Ela reconhece seu talento. ''Realmente sou boa''. Mas também sabe que no esporte nem sempre se ganha. ''Quando perco não fico pensando muito, tem que voltar pra Londrina e treinar bastante para melhorar''.
Já quando o assunto é o futuro a menina parece ter tudo bem planejado. ''Meu sonho é um dia chegar nas Olimpíadas. Vou continuar praticando a ginástica rítmica, mas só até os 30 anos de idade'', diz Heloísa, parecendo não saber que a carreira de uma ginasta costuma terminar bem antes.
A categoria que as meninas fazem parte é a primeira autorizada a participar de competições oficiais dentro do esporte. Para as crianças menores de 9 anos são realizados festivais de ginástica rítmica, onde não há perdedoras nem vencedoras.
Antes de entrar para a equipe de ginástica rítmica da Unopar, as garotas passam por um processo de aprendizado mais leve, primeiro na escolinha da instituição, onde a idade mínima para participar é de 6 anos. ''Nessa fase são desenvolvidas mais habilidades básicas para aquisição de coordenação motora, equilíbrio e noção espacial'', explica Vanda Sanches, que é professora de treinamento esportivo da Universidade.
Os horários e tempo das atividades também são diferentes, em média 5 horas semanais. ''Elas têm muitas atividades lúdicas e se divertem bastante. Os próprios aparelhos são brinquedos e isso gera muito interesse nelas'', afirma Márcia Lourenço, coordenadora da GR da Unopar.
A partir dos 8 anos as ginastas já podem ingressar na pré-equipe, que mescla atividades de brincadeira com trabalhos de treinamento para competições. A carga horária passa para 8 horas semanais.
Somente depois dessa adaptação é que as meninas têm a chance de fazer parte da equipe, na categoria pré-infantil. Mas antes passam por um processo de seleção. ''A gente escolhe as que tem o somatotipo da ginástica rítmica, um bom nível de flexibilidade e, claro, talento'', explica a coordenadora.
Dentro da equipe, as meninas entram em uma rotina exclusivamente voltada ao treinamento e passam, em média, 3 horas e meia por dia praticando.
Durante os treinos elas contam com as orientações das treinadoras e profissionais envolvidos com o esporte. A coordenadora Márcia Aversani explica que é preciso profissionalismo e muita sensibilidade. ''A gente faz muitas reuniões com os pais, pois o apoio deles é importante. Também conversamos com as crianças para que elas entendam bem toda a situação'', explica.
A alimentação é outra questão a ser levada em conta. ''A gente explica o que elas podem comer, o que é mais saudável e recomendado'', afirma Márcia.
Além das vitórias e conquistas do grupo, a coordenadora percebe melhora na qualidade de vida das atletas, principalmente com relação a autoestima e disciplina. Segundo ela, é comum ouvir elogios dos pais. ''Já houve casos de meninas que chegaram aqui e nem levantavam a cabeça, mas acabaram mudando com o passar do tempo'', exemplifica. ''Elas se ajudam muito também. Quando uma vai para a competição como reserva, por exemplo, é a que mais ajuda as outras'', conclui.


