Quando o amadorismo prejudica o esporte
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domingo, 10 de dezembro de 2006
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
Imagine a cena: Ginásio Chico Neto, em Maringá, dia 31 de outubro deste ano. Na quadra, as equipes do Cesumar/Maringá e da Unopar/Londrina/Sercomtel disputam o primeiro jogo das quartas-de-final da 2 Liga Futsal Feminina, competição oficial da Confederação Brasileira de Futsal (CBFS).
Como chove na cidade e a cobertura do ginásio apresenta goteiras, molhando o piso, a solução adotada pelos organizadores para tentar evitar que as atletas escorreguem é absurda: espalham jornais pela quadra.
Uma medida que poderia representar risco ainda maior de queda para as jogadoras e que denotou o amadorismo e a falta de estrutura dos organizadores para sediar uma competição daquele nível. Por sorte, nenhuma atleta se machucou na partida, na qual a Unopar venceu por 6 a 0.
Outro retrato do despreparo de uma equipe este ano foi visto na Liga Nacional de Handebol Masculino e o protagonista o Clube de Regatas Saldanha da Gama, de Vitória (ES). A equipe, última colocada na competição sem nenhuma vitória, tinha um jogo marcado contra a Unifil/Londrina/Sercomtel no Moringão, dia 25 de outubro. A partida já havia sido adiada do dia 12 de outubro porque o time capixaba não tinha condições de fazer duas viagens para a região Sul - enfrentaria de uma vez só quatro equipes no Paraná, Santa Catarina e São Paulo.
Quando chegou a semana da viagem, o técnico do Saldanha, Agnaldo Rocha de Souza, avisou que não iria contar com os sete titulares, porque são atletas com outras ocupações em Vitória e que não seriam liberados de seus empregos. ''Eles dependem do emprego e como não recebem salário no clube não podem nos acompanhar nas viagens'', justificou, na ocasião. Um detalhe: como além dos trabalhadores, o time tem jogadores que estudam à noite, o único horário que o treinador encontrou para reunir o grupo é das 22 horas à meia-noite.
A alternativa para suprir os desfalques foi chamar atletas juvenis e outros que moram em cidades a até 200 quilômetros de Vitória. E como alguns não chegaram a tempo à capital capixaba, o ônibus da delegação não partiu no dia previsto e o time acabou perdendo o jogo da Unifil por WO.
O presidente da Federação Capixaba de Handebol, Carlos Duarte, chegou a fazer um apelo à Unifil para que aceitasse remarcar a data, mas o pedido não foi aceito. O supervisor da Unifil, Júlio César Brevilhéri, não perdoou a desorganização do adversário. ''Não tem cabimento uma coisa dessas. Eles que vão ser enrolados assim lá em Vitória, pois já atrapalharam toda a nossa programação'', desabafou, na época.
O técnico da Unifil, Giancarlos Ramirez, assegura que o amadorismo do time capixaba não manchará a Liga de Handebol. ''A competição tem equipes extremamente profissionais, a organização é boa e sempre tivemos cobertura de tevê. Esse caso do Saldanha (da Gama) foi isolado. A Confederação é que errou ao deixar uma equipe dessas, sem qualquer estrutura, se inscrever na Liga. Isso não voltará a se repetir'', garantiu.


