Foi por meio do judô que um grupo de profissionais das mais diversas áreas encontrou o que muita gente busca quando escolhe um esporte: qualidade de vida e condicionamento físico.
Cada um tem uma história, uma rotina diferente, mas no tatame do Canadá Country Clube todos são judocas. Em meio a crianças e adolescentes, treinam três vezes por semana e garantem que a arte marcial fez toda a diferença na vida deles, trazendo benefícios ao corpo e a mente.
Entre os adultos, Paulo Quinelato é o mais novo, tem 37 anos. Capitão da Polícia Militar, já havia treinado judô quando era adolescente e resolveu retomar a arte marcial por recomendação médica. ''Eu desenvolvi uma hérnia de disco e há um ano era difícil até para andar. O doutor Aureo (Cinagawa), que também é nosso professor, recomendou que eu voltasse ao judô. Realmente foi muito bom para mim'', conta Quinelato.
Paulo aproveitou a deixa para incentivar o filho mais velho, Pedro, a praticar o esporte. A esposa Dorlizete também se interessou e aderiu ao judô, junto com a filha mais nova, Paula. ''Eu trazia e buscava eles, mas também precisava fazer uma atividade física. Foi então que decidi começar a praticar e já trouxe a Paula junto'', declara Dorlizete.
Outro que tem o filho ao lado para treinar é o pastor Don Carlos Rodrigues Reina, de 41 anos. Junto com Lucas, de 14, começou a praticar judô no início do ano. Um dos objetivos era perder peso. Ele conta que no começo foi meio difícil, mas logo se motivou com o novo aprendizado. ''Com o tempo a gente percebe o crescimento''. Já na faixa-azul, Rodrigues comemora os 10 kg que perdeu. ''Perdi e não quero achar mais'', brinca o pastor.
Ficar em dia com a balança também foi uma conquista para o cirurgião dentista, Wilson Kobayashi. ''Fiz bastante tempo de academia e não mudou muita coisa, aqui no judô já perdi quase 10 kg''.
Kobayashi já conhece bem o judô, pois o praticou durante 30 anos. Aos 45, diz que valeu a pena ter voltado aos tatames. Os benefícios, segundo ele, vão além da perda de peso. O dentista também percebeu uma melhora em seus exames médicos e na própria profissão. ''O judô ajuda muito na parte de alongamento e isso pra mim que sou cirurgião traz um grande benefício, inclusive evitando lesões por esforço repetitivo'' explica Kobayashy.
Estresse
Além de benefícios à saúde, os judocas também encontraram no esporte uma oportunidade para aliviar o estresse do dia a dia. ''O judô trabalha muito a mente e você consegue esquecer os problemas'', afirma o pastor Don Carlos. ''Eu dormia muito mal, agora tenho um sono bem melhor e mais disposição'', conta o comerciante Robins Hara.
A amizade é outra motivação. Todos se conheceram no tatame do clube e já se consideram bons amigos. ''Com a rotina corrida quase não sobra tempo para esse tipo de interação e aqui a gente encontra isso também'', declara o advogado Tony Alves, de 47 anos.
Segundo o professor Yoshihiro Okano, facilitar a amizade entre os praticantes é uma característica comum do judô. ''No judô não se consegue nada sozinho. Você precisa de um companheiro para progredir, um oponente precisa do outro. Isso gera respeito, integração e também amizade'', ensina Okano. ''O judô é a modalidade individual mais coletiva que existe'', complementa Roberto Okano, que é filho de Yoshihiro, além de professor e coordenador da academia de judô.
Durante os treinos, adultos também interagem com os mais novos. Contando adultos, crianças e adolescentes, a turma tem cerca de 30 judocas. ''A gente tem a oportunidade de se reciclar e se atualizar sobre o mundo dos mais jovens'', afirma Robins Hara''.
Para o professor Roberto Okano, a presença dos judocas mais velhos é importante pois eles acabam se tornando exemplos para os mais novos, que em contrapartida contribuem para o aprendizado dos adultos. ''Há uma troca de experiências muito boa. Temos um garoto de 17 anos, por exemplo, que é faixa preta e ensina muita coisa para os mais velhos. É interessante também quando pais e filhos se enfrentam. O judô acaba funcionando como uma válvula de escape'', finaliza.

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