Punido, Corinthians entra com recurso
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Gonçalo Júnior e Raphael Ramos<br>Agência Estado 
São Paulo - O Corinthians apresentou ontem à Conmebol um recurso para tentar anular a liminar que impede a presença de torcedores em seus jogos na Libertadores - pela determinação da entidade, as partidas em casa serão disputadas com portões fechados e nos confrontos como visitante está vetada a entrada de torcedores corintianos. O clube espera obter uma resposta até o fim da tarde de segunda.
A Conmebol puniu o Corinthians preventivamente até que seja apurada a responsabilidade do clube na morte de Kevin Beltran Espada, de 14 anos, no jogo com o San José, quarta-feira passada, no Estádio Jesús Bermúdez, em Oruro, na Bolívia. O garoto foi atingido por um sinalizador marítimo disparado do setor ocupado pela torcida corintiana - acusados pelo crime, 12 torcedores foram detidos.
O recurso do Corinthians será analisado pelo uruguaio Adrián Leiza. Ele é vice-presidente do Tribunal de Disciplina da Conmebol. O presidente do comitê é o brasileiro Caio César Vieira, mas está impedido de julgar o caso por envolver um clube do seu país, assim como o boliviano Alberto Lozada, outro integrante da corte.
Os outros membros do tribunal são Carlos Tapia Aravena (chileno) e Orlando Morales (colombiano), mas, por não haver tempo hábil para eles se reunirem para analisar o recurso do Corinthians, a decisão será exclusiva de Leiza. É o que no meio jurídico se chama de despacho monocrático. O próximo jogo do Corinthians na Libertadores é já na quarta-feira, contra o Millonarios (Colômbia), no Pacaembu. Já foram vendidos 28 mil ingressos antecipadamente.
Caso não consiga derrubar a liminar que impede a presença de torcedores em seus jogos na Libertadores, o Corinthians terá de devolver o dinheiro para quem já comprou ingresso. A diretoria, porém, está otimista e não trabalha com essa hipótese.
"Queremos a torcida, como sempre esteve, ao nosso lado lá no Pacaembu. E contamos com isso. Temos certeza que nós vamos conseguir reverter essa liminar que, ao nosso ver, é totalmente descabida e abrupta. O Corinthians e a sua torcida não concorreram para o fato trágico que aconteceu", afirmou o diretor jurídico do clube, Luiz Alberto Bussab.
O argumento do Corinthians é que o caso ainda não foi julgado e, por isso, o clube não pode ser punido de forma antecipada. "Não tivemos defesa. O inquérito policial na Bolívia ainda não terminou. As autoridades não sabem individualmente quem cometeu, como cometeu. Não se apurou a responsabilidade individual", alegou Bussab.
Ainda de acordo com o diretor jurídico do clube, a prioridade no momento é cassar a liminar. Depois é que o Corinthians vai apresentar a sua defesa sobre o incidente, o que pode levar até sete dias. A linha de defesa de Bussab é que o clube não pode ser responsabilizado por atos da sua torcida.


