O tricampeão de Fórmula 1 Nélson Piquet e o presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), Reginaldo Bufaiçal, declararam guerra de vez. O dirigente desfiliou a Federação de Brasília, presidida por Walter Ferrari, amigo de Piquet, e ameaça punir pilotos que corram em provas organizadas por ela. Piquet e Ferrari desprezam a punição e garantem que continuarão fazendo corridas, protegidos pela Lei Pelé, que dá autonomia às ligas.
O episódio é só o começo de uma disputa pelo controle das corridas nacionais. Piquet considera Bufaiçal ‘‘um idiota completo’’, que enche os cofres da Confederação sem investir no automobilismo. ‘‘Se a CBA é uma entidade sem fins lucrativos, para que ele tem US$ 4 milhões em caixa?’’, pergunta Piquet, acusando o presidente da CBA de não prestar contas às federações. ‘‘A última, em março, ele apresentou em cruzados’’, revela o ex-piloto. ‘‘Não tenho rabo para esconder, por isso sou o calo no sapato dele.’’
Piquet diz que Bufaiçal não tem profissão. ‘‘É dono de fazenda’’, lembra. ‘‘Duvido que abra à imprensa as contas da CBA e mostre a sua declaração de imposto de renda.’’
O tricampeão garante que vai ‘‘chutar’’ Bufaiçal do esporte. ‘‘Ele extorque todo mundo, cobrando taxas absurdas para realizar corridas’’, acusa Piquet, citando a BPR, categoria européia que trouxe para Brasília e Curitiba em 1997. ‘‘Ele pediu US$ 100 mil, mas para quê?’’
Piquet já administra os autódromos do Rio, Pinhais e Brasília e participa de licitações em Goiânia e Fortaleza, onde tem apoio dos governadores Naftali Alves e Tasso Jereissati. ‘‘Vou fazer corridas no Brasil todo, queira a CBA ou não’’, ele garante.
A aproximação de Piquet de Naftali e do ex-governador Maguito Vilela teria despertado o ciúme do goiano Reginaldo Bufaiçal. O dirigente não nega que o fato de Piquet ter se intrometido no seu Estado, fazendo corrida em Goiânia, dia 16 de agosto, sem aval da CBA, foi um desaforo. ‘‘Ele arrebenta a porta da sua casa, estupra a sua irmã e a sua mulher e quer que aconteça o quê?’’, indaga Bufaiçal. ‘‘No sentimento de um dirigente, isso é uma desmoralização.’’
A corrida em Goiás foi o motivo da desfiliação da Federação de Brasília. Pelo estatuto da CBA, uma federação não pode organizar corridas em outro Estado.‘‘Cumpri a lei’’, disse Bufaiçal, rebatendo acusações de Piquet. ‘‘As contas da CBA estão abertas e foram aprovadas pelo conselho fiscal em dezembro.’’ Bufaiçal admite ter US$ 4,2 milhões em caixa. ‘‘Mas vou ser criticado por que deixei a CBA mais rica?’’
O dirigente anuncia um novo campeonato de Marcas para o ano que vem e também alfineta Piquet. ‘‘Não existe Edmundo só no futebol’’, diz Bufaiçal, acusando-o de ter brigado com 107 kartistas de Brasília. ‘‘Como dirigente, ele é passional, porque defende os interesses do filho que corre.’’

mockup