Punição da CBA leva Piquet a declarar guerra a Bufaiçal
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quarta-feira, 23 de setembro de 1998
Agência Estado 
O tricampeão de Fórmula 1 Nélson Piquet e o presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), Reginaldo Bufaiçal, declararam guerra de vez. O dirigente desfiliou a Federação de Brasília, presidida por Walter Ferrari, amigo de Piquet, e ameaça punir pilotos que corram em provas organizadas por ela. Piquet e Ferrari desprezam a punição e garantem que continuarão fazendo corridas, protegidos pela Lei Pelé, que dá autonomia às ligas.
O episódio é só o começo de uma disputa pelo controle das corridas nacionais. Piquet considera Bufaiçal um idiota completo, que enche os cofres da Confederação sem investir no automobilismo. Se a CBA é uma entidade sem fins lucrativos, para que ele tem US$ 4 milhões em caixa?, pergunta Piquet, acusando o presidente da CBA de não prestar contas às federações. A última, em março, ele apresentou em cruzados, revela o ex-piloto. Não tenho rabo para esconder, por isso sou o calo no sapato dele.
Piquet diz que Bufaiçal não tem profissão. É dono de fazenda, lembra. Duvido que abra à imprensa as contas da CBA e mostre a sua declaração de imposto de renda.
O tricampeão garante que vai chutar Bufaiçal do esporte. Ele extorque todo mundo, cobrando taxas absurdas para realizar corridas, acusa Piquet, citando a BPR, categoria européia que trouxe para Brasília e Curitiba em 1997. Ele pediu US$ 100 mil, mas para quê?
Piquet já administra os autódromos do Rio, Pinhais e Brasília e participa de licitações em Goiânia e Fortaleza, onde tem apoio dos governadores Naftali Alves e Tasso Jereissati. Vou fazer corridas no Brasil todo, queira a CBA ou não, ele garante.
A aproximação de Piquet de Naftali e do ex-governador Maguito Vilela teria despertado o ciúme do goiano Reginaldo Bufaiçal. O dirigente não nega que o fato de Piquet ter se intrometido no seu Estado, fazendo corrida em Goiânia, dia 16 de agosto, sem aval da CBA, foi um desaforo. Ele arrebenta a porta da sua casa, estupra a sua irmã e a sua mulher e quer que aconteça o quê?, indaga Bufaiçal. No sentimento de um dirigente, isso é uma desmoralização.
A corrida em Goiás foi o motivo da desfiliação da Federação de Brasília. Pelo estatuto da CBA, uma federação não pode organizar corridas em outro Estado.Cumpri a lei, disse Bufaiçal, rebatendo acusações de Piquet. As contas da CBA estão abertas e foram aprovadas pelo conselho fiscal em dezembro. Bufaiçal admite ter US$ 4,2 milhões em caixa. Mas vou ser criticado por que deixei a CBA mais rica?
O dirigente anuncia um novo campeonato de Marcas para o ano que vem e também alfineta Piquet. Não existe Edmundo só no futebol, diz Bufaiçal, acusando-o de ter brigado com 107 kartistas de Brasília. Como dirigente, ele é passional, porque defende os interesses do filho que corre.


