Das agências
O técnico Víctor Púa passou os últimos dias procurando dar ênfase ao trabalho psicológico com seus jogadores para que a jovem equipe do Uruguai vá para a decisão da Copa América contra o Brasil acreditando poder surpreender o rival mais experiente. Púa apela para que a nova geração do futebol uruguaio, que usa a mais técnica do que o jogo brusco, se inspire na tradicional garra da Celeste para superar o Brasil e conquistar o título.
‘‘Vamos deixar nossas vidas em campo’’, exagera o treinador uruguaio, designado pelo argentino Daniel Passarella, coordenador de seleções da Associação Uruguaia de Futebol, para dirigir a equipe na Copa América. Púa garante que seus jogadores estão muito concentrados para desafiar o talento e a experiência do Brasil.
Ontem à tarde, os uruguaios treinaram sem a presença da imprensa e torcedores. ‘‘Fomos muito abertos até aqui, mas temos alguns segredinhos que estamos guardando para esta final’’, insinua Púa.
Os goleiros Carini e Nuñez treinaram à parte defesas de pênaltis. O treinador não confirma se sua equipe vai jogar no ataque contra o Brasil. Púa prefere responsabilizar o adversário por uma eventual retranca uruguaia. ‘‘A gente quer sempre atacar’’, garante. ‘‘No entanto, às vezes o adversário nos leva para a nossa área.
Para o zagueiro Martín del Campo, o Uruguai tem todas as condições de vencer o Brasil. ‘‘Não interessa se o Brasil tem Ronaldo, Amoroso e Roberto Carlos’’, diz o meia Walter Coelho. ‘‘Também temos jogadores de muito talento.’
O único desfalque na equipe será o volante Pablo García, que está suspenso com dois cartões amarelos. O provável substituto é Líber Vespa, que ontem desfilava pela concentração com um mate na mão. ‘‘Vamos tentar ganhar no tempo normal mas, se não der, veremos quem é o melhor nos pênaltis.’
A seleção uruguaia fez ontem seu habitual treino secreto de manhã, mas saiu da rotina à tarde, almoçando um típico churrasco ao som de mariachis mexicanos. De qualquer forma, os rivais do Brasil não revelaram os titulares nem a forma como irão jogar. ‘‘Ainda não me decidi e não falei com os jogadores’’, desconversou o técnico Víctor Púa, que acredita em um jogo parelho amanhã. ‘‘Atualmente, só nos videogames você sabe antes quem vai ganhar. Nós vamos jogar com respeito, mas não com temor’’, afirmou o treinador.
O jovem time do Uruguai negou que continue praticando pênaltis, forma de desempate que garantiu as passagens à semifinal e à final. ‘‘Posso jurar que não treinamos pênaltis. A confiança segue intacta’’, disse o lateral Del Campo. Para ele, o segredo é ser precavido contra o Brasil. ‘‘Temos de cortar os dois circuitos do ataque rival, pela esquerda e pela direita. Assim, seguramos o placar.’
Amanhã, a equipe sairá para o estádio Defensores del Chaco escoltada pelos torcedores uruguaios que chegaram ao Paraguai para assistir à decisão. Está prevista a presença de 30 ônibus, que sairão da concentração, em Luque, cidade vizinha a Assunção.

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