Prudentópolis quer surpreender Londrina
Ao entrar no gramado, no próximo domingo, para enfrentar o Londrina, em pleno Estádio do Café, a equipe do Prudentópolis Esporte Clube, comandada pelo experiente Milton Francisco do Ó, sabe que esta será uma das mais importantes partidas nos 31 anos de existência do clube, sendo apenas três deles dedicados ao futebol profissional.
A vaga para a Série A-1, primeira divisão do Campeonato Paranaense, será disputada em duas ou três partidas e o Prudentópolis tem a vantagem de jogar por três empates, por ter realizado a melhor campanha entre os participantes - mas esta vantagem não está sendo levada em conta.
Respeitando o adversário, pelo qual jogou como atleta entre 1972 e 1977, Milton - ou Miltão do Ó, como o técnico quer ser chamado, para não ser confundido com seu filho, que joga no Paraná Clube - deverá armar a equipe da mesma forma que vem jogando até aqui. Temos alguns jogadores entregues ao Departamento Médico, como Nina, Borigon, Toninho, Jaélcio e Ira, e esperávamos um tempo maior para recuperá-los, mas a Federação Paranaense de Futebol resolveu antecipar o jogo, disse o técnico.
Quanto à primeira partida do playoff, o técnico desconversa, afirmando que a responsabilidade toda é do adversário, que vai estar jogando em casa, está em um centro maior, com a torcida apoiando e uma folha de pagamento também maior. Nossos jogadores são jovens, mas experientes e alguns deles já jogaram em Londrina ou em outros grandes clubes do futebol brasileiro e estão encarando a partida como uma outra qualquer, afirmou o treinador.
De pegada forte na defesa e no meio-de-campo, o técnico Milton do Ó elege o conjunto como o ponto alto de sua equipe e afirma que não fará nenhuma mudança radical na formação. Os jogadores Dino e Zé Carioca, que estiveram fora da última partida por estarem suspensos, devem voltar ao time titular, informou. A média de idade do elenco fica em torno dos 23 anos, com alguns atletas entre os 26 e 28. Os mais experientes são o goleiro Osmar - que até a última rodada era o menos vazado - , os meio-campistas Zé Carioca, Dino e Darlan e o centroavante David, que é o artilheiro da competição com nove gols, diz o treinador.
Com uma torcida fiel e que deverá enviar a Londrina pelo menos quatro ônibus lotados, Milton acredita que sua equipe poderá surpreender o Londrina do técnico Val de Mello. As duas equipes jogam de uma forma muito semelhante, mas quem errar menos vai ficar com a classificação, prevê. Na parte da arbitragem, o técnico não acredita em um favorecimento ao Londrina.
Mesmo que o Prudentópolis não consiga um bom resultado na primeira partida do playoff, está sendo montado um esquema especial para reunir o maior número de torcedores no Estádio Municipal Newton Agibert e pressionar os jogadores do Londrina no jogo de volta.
Segundo o presidente do Prudentópolis, Nelson Boreiko, as melhores médias de público da Série A-2 - entre 2,5 mil e 3 mil torcedores pagantes com ou sem chuva - foram conseguidas na cidade, graças à prefeitura, que cede transporte gratuito. No dia do jogo contra o Londrina, que é uma equipe tradicional dentro do Campeonato Paranaense e Brasileiro, estão sendo esperadas mais de 4,5 mil pessoas de municípios vizinhos, afirma Boreiko.
O recorde de público estabelecido no estádio foi em um jogo contra o time da Associação Atlética Batel, de Guarapuava - entraram 4,8 mil pessoas. O público comparece porque os jogadores correspondem em campo, acredita o presidente do clube.
O alçapão, como é carinhosamente chamado o Newton Agibert, assistiu a apenas uma derrota do Prudentópolis desde que o time se profissionalizou. Caso a equipe garanta a sua passagem para a divisão de elite do futebol paranaense, estão asseguradas obras que vão ampliar a capacidade do estádio de 4,5 mil para 6,5 mil espectadores.
Para dar mais tranquilidade aos atletas, a diretoria do Prudentópolis deverá colocar em dia, até o final desta semana, o pagamento dos salários dos jogadores, atrasado há um mês. Com uma folha de pagamento em torno dos R$ 13 mil e despesas de participação no campeonato de aproximadamente R$ 25 mil mensais, o Prudentópolis vive de ajuda de torcedores e de políticos - o prefeito Wilson Santini é o maior incentivador -, vendas de placas de publicidade e material esportivo com a marca do clube. Para os atletas, o clube fornece alojamento e alimentação e ainda não foi decido se haverá premiação especial pela conquista da vaga para a Série A-1 no ano que vem.
RAIO-X
Nome: Prudentópolis Esporte Clube
Cidade: Prudentópolis
Fundação: 25 de maio de 1968
Estádio: Municipal Newton Agibert
Capacidade: 4,5 mil lugares
Principais títulos: Campeão da Série A-3 em 1997
Melhor colocação na A-2: 6º, em 1998
Time-base: Osmar; Jaélcio, Sidnei, Marcelo do Ó e Toninho; Dino, Zé Carioca, Darlan e Beto; David e Carioca





