Curitiba - Em entrevista coletiva ontem à tarde, o presidente da Federação Paranaense de Futebol (FPF), Onaireves Rolim de Moura, rebateu acusações sobre corrupção na entidade e na arbitragem da Série Prata do Campeonato Estadual deste ano, atualmente em andamento. O autor das denúncias foi o presidente do Prudentópolis, João Ituarte, que afirmou haver manipulação de resultados.
Ituarte fez revelações bombásticas sobre a corrupção na arbitragem paranaense, inclusive acusando a FPF de fazer parte do esquema. De acordo com suas declarações, a FPF e a Série Prata são vistos com descrédito pelos clubes participantes, devido à existência da ''venda de resultados''. Ele assegura que chegou a descartar uma proposta de R$ 60 mil em troca de uma vaga para a Primeira Divisão do Estadual. Segundo ele, o dinheiro iria para dois diretores da federação e para um árbitro.
Além de sugerir a partipação de diretores da FPF no esquema, Ituarte afirmou que a ''máfia do apito'' continua agindo durante a fase final da Série Prata deste ano. Ele acusa o árbitro Maurício Batista dos Santos (que apitou a partida em que o Prude foi derrotado pelo Toledo por 3 a 2, no domingo passado) de participar da manipulação de resultados.
Além disso, o gerente de futebol do clube, Nelson Boreico, ameaça revelar a identidade do ''Bruxo'', pessoa que seria responsável pelas transações financeiras na negociação dos resultados, caso o apitador Nilo Neves de Souza Júnior (que teria prejudicado a equipe em partida contra o Operário, na primeira fase) seja mantido para o confronto diante do Toledo, amanhã.
Ontem, Moura, juntamente com a Comissão Provisória de Arbitragem, negou esse esquema e fez questão de apresentar um relatório sobre os acusados por Ituarte, especificando os cargos exercidos pelos mesmos fora da esfera esportiva. De acordo com a explicação de Moura, o árbitro Renê Stavinski (que foi auxiliar na partida em que o Operário venceu o Prudentópolis), por exemplo, não precisaria participar do suposto esquema de manipulação de resultados pois o contracheque apresentado pelo mesmo, de seu salário recebido no banco em que trabalha, é de mais de R$ 10 mil.
O árbitro Maurício Batista dos Santos esteve pessoalmente na FPF para se defender. ''Estou abismado com a postura do senhor Ituarte'', esbravejou, depois de falar sobre os dez anos de carreira na arbitragem paranaense. Sobre a acusação, ele acha que Ituarte quer pressionar a anulação da partida do domingo passado através da denúncia. ''Ele (Ituarte) tentou colocar minha pessoa em xeque para colocar o jogo sob suspeita. Mas vai ter que provar isso judicialmente.'' O Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) do Paraná ainda deve se pronunciar se leva as investigações adiante.

mockup