São Paulo, 08 (AE) - Apesar de a Portuguesa estar invicta e a apenas uma vitória da classificação para a segunda fase do Campeonato Paulista, o técnico Zagallo prefere não fazer contas ou planejar mudanças na escalação do time até o fim do primeiro turno. "Eu quero sempre mais: ganhar sempre mais e mais jogos e
nesse meio tempo, eventualmente pode acontecer um outro resultado, um empate, mas a gente tem de pensar sempre em ganhar."
O técnico afirma que só deverá fazer pequenas mudanças na equipe para aumentar o entrosamento de alguns jogadores. "O que posso fazer é mexer em duas ou três peças do grupo, como já tenho feito, mas isso vai depender da situação do time durante a partida." A vantagem da classificação antecipada seria, a seu ver, a maior tranquilidade para trabalhar na correção dos erros que ainda existem e na adoção de seu esquema tático.
Zagallo insiste em sua preocupação com a falta de jogadores para as posições de lateral e meia. "Estou falando isso agora, enquanto o time está ganhando, não estou usando para justificar derrotas, mas qualquer um pode ver que Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos estão-se reforçando", diz, pensando na segunda fase. "Eles têm várias opções para cada posição, enquanto nós, apesar de termos bons jogadores, temos um grupo muito reduzido."
Pai - Apesar das queixas por causa do pequeno elenco, Zagallo não esconde o entusiasmo com os atletas que comanda. "Eles são fantásticos: têm muita concentração, são muito atentos, disciplinados e mostram grande empenho em atender a minha orientação."
O técnico conta que tem usado toda a sua vivência no futebol para orientar os jogadores, uma relação que, segundo ele, é praticamente de pai para filho. "O bom de ter mais de 50 anos de profissão é que a gente passou por praticamente todas as situações possíveis e eu posso usar tudo o que aconteceu comigo para mostrar o que um jogador pode fazer; nem preciso de exemplos externos."
Um exemplo, segundo ele, é o caso do Da Silva, que está com uma contusão de demorada recuperação no joelho. "Conversei com o jogador e mostrei a cicatriz da cirurgia no joelho que fiz logo após a Copa de 58; fiquei três meses parado, mostrando que ele não deve desanimar na recuperação."
O treinador explica que, apesar de exigir disciplina de seus comandados, procura exercer liderança sem deixar de ser flexível e aproximar-se do grupo. Um exemplo, segundo o técnico, foi o atacante Didi, que se atrasou para o treino da manhã. "Ele veio conversar comigo, pediu desculpas e foi sincero, disse que perdeu a hora", conta Zagallo. "É claro que é algo que não pode acontecer sempre, mas até eu corro o risco de que um dia o mesmo aconteça comigo."
O treinador está satisfeito com a evolução da Portuguesa, especialmente depois do "milagre" na vitória sobre o Rio Branco, por 3 a 2, quando o time virou o jogo nos minutos finais. "Aquele jogo teve um efeito positivo no time, tanto que considero a partida contra a Internacional, que vencemos por 3 a 0, a melhor de todas que já fizemos."

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