São Paulo - Apesar de ainda faltarem dois anos para o estádio de Itaquera ficar pronto (a expectativa de conclusão é final de 2013), a diretoria do Corinthians não faz questão de esperar pela inauguração para considerar o projeto bem-sucedido. Tanto que já determinou o próximo passo, tão importante e esperado quanto a casa própria: a internacionalização da marca, que passa pela eficaz utilização da nova arena. A direção estima que, depois de pronto, o estádio seja responsável por receita de R$ 40 milhões/ano.
É verdade que as eleições estão marcadas para fevereiro e, embora a situação seja favorita, o cenário político no Parque São Jorge tornou-se instável após as recentes e polêmicas manifestações do presidente Andrés Sanchez em relação aos conselheiros do clube - os teria chamado de ''câncer''. ''Sem dúvida é o próximo passo (a internacionalização). Já temos uma linha de trabalho definida'', afirmou o diretor de marketing, Luiz Paulo Rosenberg.
Uma delas é explorar o potencial turístico do novo estádio. O simples fato de receber a abertura do Mundial, o que é considerado pelos responsáveis pela organização da Copa como o principal momento do evento por causa do fluxo de chefes de estado, autoridades e celebridades, dará projeção sem precedentes à arena de Itaquera. ''Imaginem o quanto a marca Corinthians circulará pelo mundo'', afirmou Rosenberg. ''O local se transformará em ponto turístico. E criaremos uma estrutura capaz de explorar esse poder de atração''.
O público a ser atingido é sempre o mesmo: a Fiel. ''É como eu sempre digo, não queremos ter a maior torcida, queremos ter a melhor torcida'', disse o especialista em marketing. ''E o que a Fiel precisar de oferta de produtos e conforto, nós vamos oferecer''.
O futebol será o carro chefe deste projeto. E os corintianos que esperam assistir no local a vários shows musicais, melhor não terem grandes expectativas. Pelo menos no que depender da ideia de Rosenberg. ''O estádio do Corinthians será um campo para futebol. Outros tipos de evento serão analisados com muito cuidado'', explicou.
Inspiração catalã
Há três anos, a diretoria corintiana segue uma espécie de cartilha. Trata-se do livro ''A bola não entra por acaso'', escrito pelo espanhol Ferran Soriano, que traz no currículo o fato de ter sido um dos mais destacados dirigentes do Barcelona na última década. Entre vários temas, o cartola catalão fala sobre a importância de um estádio próprio para incrementar a receita de um clube e dá dicas quanto à internacionalização da marca.
Os dirigentes corintianos não gostam de falar em seguir recomendações, mas nunca negaram que usam o histórico de ações do Barcelona como referência. Alguns dos cartolas espanhóis já estiveram no Parque São Jorge para trocar ideias e experiências com os brasileiros. ''Teve uma época que não via necessidade de ter um estádio. Mas o pessoal do Barcelona me convenceu de que isso é importante para o crescimento de um clube'', afirmou o presidente corintiano, Andrés Sanchez.

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