Provocações no bar, festa na Higienópolis
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segunda-feira, 05 de dezembro de 2011
Fábio Galão <br> Reportagem Local
Centenas de corintianos, palmeirenses ou simplesmente ''secadores'' se reuniram em bares de Londrina para assistir à partida decisiva entre os dois rivais paulistas. A reportagem da FOLHA passou por alguns estabelecimentos no Centro da cidade. Embora a maioria dos que assistiam ao jogo usasse, evidentemente, camisas de Corinthians e Palmeiras, havia um ou outro ''invasor'' - com uniformes de Vasco, Flamengo, São Paulo, Londrina, Coritiba e até do recém-criado Cincão.
O professor Eduardo Chavante, torcedor do Vasco, único time que ainda tinha chances matemáticas de tirar o título brasileiro do Corinthians, foi a um bar mesmo sem saber se a partida da equipe cruzmaltina contra o Flamengo seria exibida no local. ''É difícil achar em Londrina bares que passem os jogos do Vasco. Tem muita torcida de time paulista. Se não passar o jogo do Vasco, vou ser obrigado a aguentar isso daí'', disse o professor, aos risos, apontando para a gritaria de palmeirenses e corintianos.
Para sua sorte, o bar decidiu transmitir a partida do Corinthians em três TVs e a do Vasco em outra. Mas, antes do começo do jogo, Chavante admitiu um certo pessimismo. ''É claro que eu quero que o Vasco ganhe (o Campeonato Brasileiro), mas não sei se vai conseguir. Sou bastante consciente. Sei que é difícil'', comentou.
No mesmo bar, o estudante Felipe Daudt França e a irmã, Natália, estavam em lados opostos na rivalidade Corinthians x Palmeiras. França, conhecido como Café, arriscou uns 2 a 1 para o Verdão, seu time. ''Mas acho que o Vasco não ganha do Flamengo'', lamentou. Minutos depois, pediu ao repórter da FOLHA: ''Escreve aí que o Vasco ganha. Senão, o pessoal da Mancha (Verde, torcida organizada do Palmeiras) vê o que eu falei no jornal e fica chateado comigo.''
Natália, que trabalha na área de marketing, se descreveu como ''a única corintiana da família''. ''Todos lá em casa são palmeirenses. Mas é tranquilo. Nós vemos os jogos juntos, torcemos juntos'', garantiu.
Como de costume, os pouco mais de 90 minutos de jogo foram marcados por bravatas, tirações de sarro, competições para ver quem gritava mais alto. Com o penta confirmado, os corintianos rumaram para a Avenida Higienópolis, o tradicional ponto de comemorações futebolísticas de Londrina.
Lá, o vendedor de medicamentos Carlos Henrique Martins, corintiano, afirmou que o título deste ano teve um sabor especial, como resposta à intensa torcida contra de palmeirenses, são-paulinos e santistas. ''Tem muita gente que fala muito e não sabe jogar. O Corinthians fez o jogo dele o tempo todo, e a conquista veio naturalmente'', disse Martins.