São Paulo - A cerimônia de acendimento da tocha olímpica em Olímpia, na Grécia, na manhã de ontem, foi marcada por diversos protestos contra a repressão da China, organizadora dos Jogos de 2008, em relação à província do Tibete.
Três membros da organização Repórteres sem Fronteira, que tem sede em Paris, foram detidos. Um deles mostrou uma bandeira estilizando os anéis olímpicos como algemas enquanto Liu Qi, chefe do comitê organizador chinês e membro do gabinete político do partido comunista, fazia seu discurso.
''Se a tocha olímpica é sagrada, os direitos humanos são ainda mais sagrados'', declarou o grupo, por meio de uma nota. Cerca de 20 pessoas tentaram se aproximar da cerimônia, mas foram impedidos pela polícia.
Uma mulher de origem tibetana se pintou de vermelho e deitou no chão, em frente ao grego Alexandros Nikolaidis, medalha de prata no taekwondo dos Jogos de Atenas-2004, que carregava a tocha. Outras pessoas protestavam gritando ''free Tibet'' (''Tibete livre'').
''É sempre triste quando ocorrem protestos, mas eles não foram violentos e isso é importante'', comentou o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, que presenciou a cerimônia.
Ele comentou que busca uma ''diplomacia silenciosa'' na questão da China com o Tibete e em outros assuntos relacionados a direitos humanos. ''Discutimos esses assuntos diariamente com as autoridades chinesas, enquanto respeitamos a soberania da China nestas questões'', declarou Rogge.
O dirigente ainda falou que não há planos de mudança na rota do revezamento da tocha, que irá passar pelo Tibete, mas não descartou a hipótese. ''Ninguém pode prever o futuro'', disse.
Rogge também comentou que os atletas não serão impedidos de se manifestar politicamente - desde que isso não aconteça nos locais de disputa dos Jogos ou na Vila Olímpica. ''Fora dos locais, os atletas são livres para fazer o que quiserem. Fui assegurado pelas autoridades chinesas de que eles respeitarão a liberdade de expressão dos atletas, que deverão respeitar as leis do país'', disse Rogge, perguntado se os esportistas poderiam andar com uma camiseta apoiando a causa tibetana.
Os protestos contra a situação na província começaram em 10 de março, por ocasião do aniversário do levante de 1959 contra o poder chinês, oito anos após a China ocupar o Tibete, em 1951.
Até agora, 19 pessoas já foram mortas em Lhasa, capital tibetana, de acordo com o governo chinês. O governo tibetano no exílio afirmou que 130 pessoas morreram no Tibete e nas províncias chinesas vizinhas.
A cerimônia começou às 11 horas locais (6h de Brasília), em vez das 12h (7h), para evitar as fortes chuvas na região do Peloponeso, península sul da Grécia. A tocha olímpica irá percorrer 137 mil quilômetros em cinco continentes, antes de chegar a Pequim em 8 de agosto, dia da abertura dos Jogos.

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