Protesto marca despedida do Atlético
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de junho de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
O Atlético goleou o Iraty, por 7 x 2, no Estádio Pinheirão, em Curitiba, e terminou em segundo lugar no Campeonato Paranaense. Esta foi a última partida do rubro-negro, de acordo com a decisão do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) que, na última quinta-feira, puniu o Atlético com uma suspensão de 360 dias.
A torcida aproveitou a vitória e a entrega do troféu de vice-campeão para protestar contra a decisão do STJD. Por volta das 11 horas, uma carreata saiu da Baixada - o reduto dos atleticanos -, fez uma parada em frente à sede da Rede Globo no Paraná (Rede Paranaense de Televisão), e se concentrou no Estádio do Pinheirão, para esperar a partida.
O presidente afastado do Atlético, o empresário Mário Celso Petraglia, é acusado de envolvimento no escândalo das arbitragens. Os torcedores atribuem o vazamento do esquema pela Globo a manobras da cartolagem carioca contra o futebol do Paraná. Eles carregaram para o jogo faixas e camisetas para protestar. Rede Globo, CBF, Clube dos Treze! Assassinaram a alegria! foi a palavra de ordem. Dois incidentes marcaram a partida da morte ontem. Um antes do jogo e outro na hora da comemoração.
A torcida rubro-negra depredou parte da frente do Pinheirão. O reforço policial conteve os manifestantes que foram revistados logo na entrada das arquibancadas. Depois de garantida a vice, os atleticanos tentaram ainda atear fogo no carrinho da maca, mas foram mais uma vez impedidos pelos policiais.
Mário Celso Petraglia acompanhou de perto a manifestação e assistiu ao jogo de camarote. Segundo ele, o advogado Marçal Justen Filho entra na Justiça Comum ainda nesta semana para reverter a decisão da CBF. A torcida sabe que fomos vítimas de armação e de uma injustiça. Ele diz não ter dúvidas de que a ordem da CBF será derrubada.
Coxa branca, o governador Jaime Lerner saiu em defesa do rubro-negro da baixada. Numa nota oficial, disse que o Atlético e sua torcida estão sendo vítimas de uma odiosa discriminação e que o julgamento do STJD foi um evidente linchamento, uma afronta ao Paraná.
Hoje fazem isso com o Atlético, amanhã vão querer fazer com outros times do nosso Estado, emendou. Petraglia e Lerner são amigos de muitos anos e o dirigente afastado do Atlético comandou a parte financeira da campanha do governador em 94.
Superioridade técnicaNo aspecto técnico, a última partida do Atlético foi tranquila. Durante todo o jogo contra o Iraty, o rubro-negro manteve a superioridade no ataque. Joílson, que na última hora entrou no lugar do atacante Paulo Rink, surpreendeu. Fez quatro dos sete gols do Atlético. Andrei garantiu três, um deles contra. E Reginaldo garantiu um. O primeiro gol saiu aos três minutos e o último aos 46 da etapa complementar.
O Iraty marcou o seu logo no início do segundo tempo. Oberdan foi o autor graças ao toque do jogador Arinelson. A diferença diminuiu com o gol contra de Andrei, no final do jogo.
A maioria das jogadas do Iraty foi pela direita, o que não permitiu jogadas surpresas para o time. Arinelson foi o jogador que criou mais oportunidades de ataques, mas quase todas individuais.
-Atlético - Ricardo Pinto; Luizinho, Reginaldo, Leonardo e Tanielton; Andrei, Nowak, Cleberton e Fábio Melo; Oséas e Joilson. Técnico: Jair Pereira.
-Iraty - Vladimir; Fernando, Pádua, Fábio e César; Arnaldo, Oberdan, Sandro (Davis) e Mineiro (Xandão); Roger (Kellé) e Arinelson. Técnico: Celsinho.


