Prost critica Peugeot e fábrica reage
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quinta-feira, 06 de maio de 1999
Por Livio Oricchio 
São Paulo, 07 (AE) - O clima do casamento entre Alain Prost e a Peugeot já não é mais o mesmo da época da formação da equipe, oficializado há pouco mais de dois anos, com direito a Marselhesa e tudo, reverenciando o forte caráter francês da organização. Segundo se comenta na Europa, o ex-piloto teria até contatado os dirigentes da Honda visando uma colaboração a partir do fim de 2001, quando termina o contrato da Prost Grand Prix com a Peugeot.
Prost tem reclamado da desatualização do motor V-10 produzido pela empresa francesa. "Ele é grande, pesado e frágil." Depois comentou: "Para ser competitivo hoje na Fórmula 1 é absolutamente necessário dispor de um minimotor." Corrado Provera, da escuderia, diz que a Prost conta com o melhor motor na velha geração e que apenas a Mercedes (sócia da McLaren) e a Ford (parceira da Stewart) desenvolveram uma nova geração de motores, pequenos e leves, conforme a citação de Prost.
A direção da Peugeot reagiu hoje com energia às críticas. Segundo nota da fábrica, o seu V-10 é uma evolução do motor utilizado com sucesso pela equipe Jordan em 1997. O texto lembra ainda a temporada difícil experimentada ano passada com a Prost, onde apenas um ponto foi conquistado, contra 33 do último campeonato com a Jordan, numa referência clara de que o maior responsável pela falta de resultados é o carro e não o motor.
Ao mesmo tempo, a Peugeot informa que um novo V-10 está em fase de estudos e um protótipo deverá fazer seu primeiro teste de pista em setembro. Essa unidade terá cerca de 105 quilos, contra os 120 quilos do atual V-10 da Prost, média de peso da maioria dos motores da Fórmula 1. O V-10 da Ford, bem como o da Mercedes, hoje os mais avançados da competição, pesam pouco menos de 100 quilos.
A grande vantagem desses minimotores é permitir aos engenheiros variar a distribuição de peso do carro, para atingir o limite mínimo exigido pelo regulamento, 600 quilos com o piloto. "Nosso lastro é de no mínimo 25 quilos" diz Rubens Barrichello, da Stewart-Ford.
TESTES - Enquanto as equipes Williams, Sauber, BAR e Stewart trabalharam hoje em Nogaro, na França, a Ferrari deu sequência a seus ensaios em Fiorano, com Michael Schumacher. O objetivo dos treinos é encontrar o melhor acerto do carro para os difíceis 3.367 metros do circuito de Mônaco, próxima etapa do Mundial, programada para dia 16. Além disso, os pilotos verificam qual a melhor escolha de pneus Bridgestone: os macios, já conhecidos, ou os extramacios, desenvolvidos para as ruas do Principado.
O dia na pista de Nogaro começou chuvoso, depois o afalto secou e por volta das 16 horas caiu um tormenta sobre o autódromo. Mika Salo, substituto de Ricardo Zonta na BAR, estava na pista numa boa hora e registrou o melhor tempo, 1min19s37 (25 voltas). Pedro Paulo Diniz, da Sauber, completou nada menos de 50 voltas na condição de corrida, com o aerofólio dianteiro que será usado em Mônaco, entre outras alterações, e fez 1min19s83, quarta do teste.
Rubens Barrichello deu apenas 16 voltas. O modelo SF-03 da Stewart apresentou perda de pressão hidráulica, o que obrigou a retirada do câmbio para resolver o problema. Sua melhor volta: 1min21s04, quinta do dia. Amanhã Barrichello experimenta um novo diferencial, previsto para ser testado hoje. Michael Schumacher rodou duas vezes no circuito de Fiorano, nas 69 voltas completadas. Na melhor passagem fez 1min01s919, muito boa para as condições do treino.


