Proposta de parceria divide Conselho do Santos
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quinta-feira, 02 de dezembro de 1999
Por Cida Oliveira 
Santos, 02 (AE) - A proposta de parceria com o Santos feita oficialmente, pelo consórcio Corporação Interamericana de Entretenimento (CIE)/Octagon/Koch Tavares, no valor de US$ 230 milhões, dividiu os conselheiros do clube, na noite de quarta-feira. Às vésperas da eleição, marcada para sábado, a oposição avaliou tratar-se de um lance eleitoreiro da atual diretoria, fazendo com que o clima ficasse carregado.
Para Marcelo Teixeira, que lidera a oposição, a proposta não é boa, "porque não atende as necessidades do clube". Ele não considera que o dinheiro seja pouco, mas avalia que as questões referentes a expansão do Santos não estão claras. Já o líder da situação, José Paulo Fernandes, sente-se feliz por fazer parte de uma diretoria "que está trazendo a possibilidade de firmar uma parceria", mas admite que ela precisa ser melhor estudada pelo próximo conselho.
A proposta inicial do consórcio prevê o investimento de R$ 40 milhões de reais para a contratação de grandes jogadores visando a formação de um time altamente competitivo. Nesse ponto Fernandes afirma que concorda com os números sugeridos, "desde que sejam em dólares". A intenção é tornar o Santos um time vencedor, como o foi no passado, valorizando os jogadores e a marca Santos FC, que entende não pode estar separada do nome Pelé.
Durante a explanação feita Fernando Silva, da Octagon/Koch Tavares, em nome do consórcio, algumas questões ficaram em aberto. Uma delas refere-se a construção de novo estádio, ou ampliação e modernização da Vila Belmiro passando dos atuais 25 mil lugares para 45 mil ou 50 mil assentos. Outra polêmica envolve a futura venda de jogadores comprados pelo Santos em parceria com o CIE e Octagon/Kock Tavares.
Os conselheiros querem saber se o Santos vai ter participação no lucro quando da venda de jogadores adquiridos só pelo parceiro.
As discussões foram acirradas a ponto do presidente do Conselho Deliberativo, Florival Amado Barleta não ter conseguido colocar em votação o pedido da CIE de ser comunicada caso o clube receba uma nova proposta. A tentativa chegou a provocar tumulto no plenário e a sugestão não pode ser analisada.
Mas em um ponto todos concordam: é preciso constituir uma comissão ou contratar uma empresa para realizar um estudo de viabilidade das propostas apresentadas, para que posteriormente os conselheiros possam deliberar.
PROPOSTA - Os primeiros contatos para formalizar uma parceria com a CIE-Octagon foram feitos, pela atual diretoria do Santos, em setembro. Na noite de quarta-feira o clube reuniu os conselheiros para examinar a proposta, que agora deverá ser aprofundada pelo conselho que será eleito no sábado.
O consórcio oferece um investimento mínimo, no valor de US$ 230 milhões, durante o período de 10 anos. O clube receberá R$ 20 milhões, por ano, para explorar a marca Santos FC. Para gerenciar esse dinheiro seria criada a Santos Licenciamentos formada por integrantes da parceria e membros do clube.
A CIE/Octagon dá, de imediato R$ 40 milhões para reforçar o time, podendo aumentar esse valor, conforme a necessidade. Durante os 10 anos da parceria, todo o movimento da receita que desse lucro seria 30% para o Santos e 70% para a empresa e nessa proposta está a construção de um estádio multiuso ou a reforma da Vila.
O consórcio quer investir também nos esportes olímpicos em três modalidades: futebol de salão, vôlei masculino e judô, para auxiliar na divulgação da marca Santos FC.


