São Paulo - O presidente do Corinthians, Alberto Dualib, pode ter prisão preventiva decretada na segunda-feira. O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) não descarta essa possibilidade, sobretudo se comprovada a tentativa do dirigente de atrapalhar e dificultar as investigações que sofre do Ministério Público Federal, por quem é acusado de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Dualib, que pediu afastamento de 60 dias da presidência do clube, tem conexão com uma empresa em Montevidéu, o que foi batizado pela oposição corintiana de ''Operação Uruguai''. O presidente repassou 33 imóveis de seu nome, avaliados em R$ 14,3 milhões, para uma offshore com sede no país vizinho. Seus advogados dizem que a operação não se confirmou, mas terão de se explicar por que foi colocada em marcha.
A oposição corintiana já sabia da manobra jurídica do cartola, mas sem conhecer detalhes. A conexão com Uruguai nasceu em janeiro de 2004, com a abertura da Adel Locadora de Máquinas e Móveis Ltda., empresa da qual Alberto Dualib era sócio responsável e dono da maior parte das cotas do capital. Dois anos depois, ele vendeu suas cotas da Adel para a offshore Unionlinx Sociedade Anônima, com sede na capital uruguaia.
Dos R$ 13 milhões de cotas que tinha na Adel, Dualib aceitou vendê-las por R$ 360 mil à vista e o restante em 60 meses. A operação não registrou valorização dos bens do dirigente nos últimos anos, o que insinua disposição apenas para se ''desfazer'' dos bens.
O Gaeco desconfia que Dualib montou a conexão para proteger seus imóveis, ameaçados de penhora caso se comprovem contra ele acusações do Ministério Público. O Estatuto do Torcedor e a Lei de Responsabilidade Social determinam que dirigentes com más administrações, com prejuízo ao patrimônio do clube, sejam punidos com prisão e penhora dos bens.
''O Gaeco vai acompanhar de perto o andamento das investigações'', disse o promotor José Reinaldo Guimarães Cordeiro. ''Não descartamos, juntos com nossos pares da Polícia, o pedido de prisão preventiva do Dualib e de quem mais estiver envolvido em possíveis tentativas de se desfazer de patrimônio para atrapalhar as investigações.''
Na tarde de ontem, havia rumores de que o pedido de prisão de Alberto Dualib já havia sido feito, informação não confirmada pelo Ministério Público. Ao mesmo tempo, a Justiça Federal investiga a parceria do Corinthians com a MSI.
O advogado José Alves, indicado pelo presidente Alberto Dualib para defendê-lo no caso da ''Operação Uruguai'', garantiu que todos os imóveis ainda estão registrados em nome de seu cliente. E que as empresas criadas por Dualib, registradas na Junta Comercial de São Paulo, não foram para frente. Não soube dizer, porém, qual a finalidade de abrir a empresa Adel e por que, depois de dois anos, o dirigente repassou seu patrimônio à offshore Unionlinx, em Montevidéu, no Uruguai.

mockup