O handebol feminino é tradição no Colégio Estadual Marcelino Champagnat, localizado no centro de Londrina. Com uma equipe dedicada que dribla a limitação de recursos, as categorias de base têm revelado talentos que destacam a cidade no cenário estadual. Samara Leticia Fioravante Santos, 17 anos, é uma das promessas do esporte. Atleta desde os 12, ela recebeu neste sábado o prêmio de melhor jogadora pela categoria de rendimento esportivo do Campeonato Paranaense de Handebol Feminino Sub-18. "Eu não esperava chegar a essa conquista. É difícil, são muitas meninas, muitos times no sub-18. Eu, por ser mais nova, fiquei bem feliz!"
Quando começou a jogar, Samara "não almejava nada", era só por divertimento. "Comecei a pegar gosto, me destaquei e o técnico me levou para jogar com meninas mais velhas, para ganhar experiência." A mãe da atleta se preocupava com as viagens e o tempo longe da filha. "Mas ela foi pegando confiança, e não parei mais", contou a jovem com um sorriso no rosto.
Samara disse que, para se aprimorar, foi preciso disciplina. "Abri mão de coisas que eu gostava para me dedicar ao handebol. Deixava de me divertir no fim de semana para viajar com a equipe. E me lesiono sempre, porque na hora do jogo, vou mesmo para cima, eu quero ganhar e fazer o melhor para o time" . Mas o esforço valeu a pena. "Minha família me apoia muito! É um orgulho, sabe? Ela conta para todo mundo e sempre me assiste jogar!"
Bolsa-Atleta
Outros destaques do handebol feminino em Londrina são Gabriela Maciel de Souza, 16 anos, e Jhenifer Coronado Pinheiro, 17. As meninas foram selecionadas pelo programa Bolsa-Atleta, do Governo Federal, para receber um incentivo no valor de R$ 370, cada uma. "Essa ajuda de custo nos incentiva a não parar, e ajuda o governo a não perder de vista as atletas", explicaram as meninas.
Jhenifer é londrinense e joga desde os 13 anos. Antes, não gostava muito de esporte. "Não era a minha praia, mas desde que comecei não consegui mais sair".
Gabriela, que joga desde os nove anos, veio de Terra Rica aos 13 a convite da treinadora, Camila Tsuzuki, para jogar em Londrina. Ela mora em uma república com outras jogadoras. Além da bolsa-atleta que irá receber, a jovem se mantém através de recursos da Fundação de Esportes de Londrina (FEL), principal apoiador do projeto. "Quando se convida um atleta (de outra cidade para jogar em Londrina), a gente se responsabiliza por tudo. Escola, saúde, alimentação, moradia. E temos uma ótima relação com as famílias", comentou Camila.
Educação
As atletas sonham em chegar à seleção brasileira, mas, além da rotina diária de treinos, que inclui condicionamento físico e técnicas de jogo, elas precisam se esforçar no colégio. "Se estão ruins na escola, a gente pune deixando de castigo do handebol, até que as notas melhorem", enfatizou a treinadora.
Jhenifer considera o estudo muito importante. "A gente tem que levar a sério, tem que se virar pra arranjar tempo e estudar, porque isso é em primeiro lugar". Gabriela concorda. "Minha mãe fala a mesma coisa: Pode jogar, mas estude, porque handebol é bom, mas um dia acaba."
Camila também ressaltou a importância social que o esporte tem na vida das garotas. "A gente conversa com elas, ensina o que é coletividade, o que é dividir, estar junto, e esse é o maior diferencial das modalidades coletivas."

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