Promessa frustra assinantes; aumenta venda de parabólicas
Marcos Freitas e
Janaina Tupan Frare
De Londrina
A dona-de-casa Maria Rosemeire Pereira, 30 anos, não gosta de ir ao estádio, mas adora futebol. Foi por este motivo que ela assinou a Net, há três semanas. Ela nem sabia da proibição das transmissões pela TV a cabo e, quando foi alertada pela reportagem publicada pela Folha, mostrou-se indignada. Nós aderimos à Net por causa do Pré-Olímpico. Optamos por um dos pacotes mais caros para ter o conforto e agora não poderemos ver o jogo pela TV. É muita falta de respeito.
Rosemeire diz que se sente vítima da vontade política de quem organiza o torneio. Meu marido comprou o pacote por minha causa. Sou eu quem mais gosta de futebol em casa e, se depender de mim, vamos cancelar a assinatura.
Antônio Carlos de Almeida, assinante da Net há três anos, afirma que o motivo da torcida londrinense não estar indo ao estádio não tem nada a ver com a transmissão pela TV. O problema é que a prefeitura investiu alto para trazer um timinho (referindo-se à Seleção Brasileira) para jogar na cidade. O povo não enche o estádio porque o Brasil não está tendo o desempenho que todo mundo esperava, explica.
O torcedor Dirlei Pacheco concorda. Ele pagou R$ 15,00 para mudar do plano mais barato para o que incluía a transmissão dos jogos pela SporTV. É como comprar um carro, dar uma volta no quarteirão e ter de devolver, afirma Pacheco, referindo-se ao fato de ter assistido aos primeiros jogos, sem poder assistir aos demais.
Para resolver o problema de Dirlei e dos outros quinze colegas que trabalham com ele, o chefe de uma cooperativa de adubos, Gilberto Ávila, comprou uma antena párabolica. Vamos pagar a antena em quatro vezes, mas teremos o conforto de assistir aos jogos com os amigos reunidos lá em casa, diz Ávila.
A venda de antenas parabólicas aumentou na cidade. Só anteontem, quando chegou a notícia da proibição da transmissão dos jogos pela TV a cabo, a empresa Colitec vendeu oito parabólicas.
A maioria das parabólicas foi vendida para moradores de condomínios de Londrina que dividiram as despesas para continuar tendo o privilégio de assistir aos jogos do Pré-Olímpico sem sair de suas casas.





