Promessa do xadrez, londrinense vai disputar o Brasileiro
Em feito inédito, jovem de 12 anos conquistou Tríplice Coroa paranaense
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 11 de maio de 2026
Em feito inédito, jovem de 12 anos conquistou Tríplice Coroa paranaense

O jovem enxadrista londrinense Arthur Henrique Brunasso Batista, de 12 anos, é uma das maiores promessas do xadrez no país, e busca ajuda para disputar o Campeonato Brasileiro de Xadrez - Base e Juventude, na categoria sub-12, entre os dias 20 e 24 de maio, no Recife (PE). Em conversa com a FOLHA, o pai de Arthur, Claudio Batista, destacou os feitos do filho e revelou a arrecadação via Pix para ter ajuda com ao menos uma parte do valor que irá arcar do próprio bolso para levar o filho, atual campeão paranaense de sua categoria, para a disputa do Brasileiro.
“Por ser campeão paranaense, ele tem direito a uma ajuda de custo da Federação do Paraná, e eu tive que conseguir porque a federação dificulta, já que é brigada com a CBX (Confederação Brasileira de Xadrez). Mas, pelo estatuto deles, precisam arcar com hospedagem e inscrição. Mesmo assim, só ajudam com a inscrição”, revelou o pai de Arthur, que é comerciante em Londrina. O Pix para ajudar na ida de Arthur para o Brasileiro e posteriormente para outras competições é o [email protected].
Arthur fechou o ciclo estadual de competições com resultados expressivos e inéditos para sua categoria. Ao vencer de forma invicta os dois torneios das Finais Paranaenses em abril, ele completou a chamada Tríplice Coroa do xadrez da sua faixa etária, unificando os títulos das três modalidades disputadas no Estado. O jovem londrinense é, simultaneamente, campeão paranaense de Blitz e de Clássico pela Federação de Xadrez do Paraná (FEXPAR) e campeão de Rápido pelo Circuito Sesc/FEXPAR. A conquista das três modalidades na mesma temporada representa um feito inédito.

Com o desempenho acumulado nesta temporada, Arthur ampliou sua lista de títulos: tornou-se bicampeão paranaense no Clássico, mantendo-se invicto, com 16 pontos em 18 possíveis, e também bicampeão no Blitz, modalidade em que está há dois anos sem derrotas, com 100% de aproveitamento. No Rápido, alcançou outro bicampeonato, com 87 vitórias em 88 partidas disputadas. O atleta treina há pouco mais de dois anos e meio, período em que vem desenvolvendo a parte técnica com o apoio de diferentes profissionais e parceiros de treino.
Mesmo com os feitos recentes, Arthur ainda não recebe apoio para a disputa da modalidade, que começou tardiamente, mas onde já se destaca. Para ir ao Recife, Claudio calcula que precisará de R$ 5 mil a R$ 7 mil para ele e o filho ficarem durante os dias do torneio.
“Estou esperando para ver quanto vou receber de ajuda, para então colocar o resto no cartão”, explicou Claudio, que revelou que Arthur mira outras duas competições de alto nível ainda em 2026.
“Este ano temos três datas importantes: o Brasileiro oficial, no Recife, o Brasileiro Escolar, e a data mais importante é o Mundial Escolar, que será em Foz do Iguaçu no fim de outubro. Esse é o nosso maior objetivo: participar do Mundial Escolar. Como será sediado no Brasil, a competição será aberta para brasileiros”, explicou Claudio, que prevê gastos aidna maiores para levar Arthur à disputa.
“A dificuldade, como sempre, é financeira. Serão 15 dias em Foz do Iguaçu, 15 dias fora do trabalho para acompanhar ele. Sou autônomo no comércio, e eu e a minha esposa revezamos. Fica um sozinho em casa, e ainda temos outro filho que precisa ser levado à escola. Como é difícil o xadrez no Brasil, não pode perder essa oportunidade, estamos tentando viabilizar tudo”, destacou Claudio.

O talento e as dificuldades
Arthur começou no xadrez por incentivo de um professor, e logo tomou gosto, não saindo mais do esporte e focando de vez nas competições, onde tem conquistado títulos.
“Ele não tem laudo de superdotação, mas os professores dizem que ele é superdotado. Nunca fica abaixo de 9,5 em quase nenhuma matéria. Ele nos ajuda, é muito comunicativo, faz amizade com facilidade, expõe as ideias com clareza. Fez 12 anos agora, no mês passado, e está um ano adiantado na escola, na 7ª série”, explicou ele sobre a personalidade do filho.
“Ele começou tarde no xadrez. Normalmente as crianças começam com cinco ou seis anos, e geralmente com famílias que já têm histórico no esporte. O Arthur começou aos nove, mas mostrou talento especial. Começou a ganhar do professor, e o professor destacou o potencial dele. Só com ensinamentos básicos já vencia partidas, inclusive o professor. Ele tem uma percepção muito avançada no xadrez. No primeiro torneio que disputou, foi campeão. Ainda criança, ganhou torneios adultos. Faz só dois anos e meio que ele pratica”, disse ele, que lamentou que a cidade não apoie diretamente o talento de Arthur e de outros prodígios do xadrez.
“ O clube de xadrez de Londrina está desativado; a Prefeitura não apoia. O único apoio possível seria pelo Feipe, mas ninguém do xadrez pegou. Não há verba, nem para passagem para levar uma delegação. É tudo particular, nós que bancamos tudo do Arthur até o momento”, destacou Claudio, que fla com orgilho do filho, e busca apoio para que o jovem de 12 anos dispute os principais torneios do país na modalidade.



Matheus Camargo
Repórter de Esportes, com foco no Londrina Esporte Clube.


