Promessa do basquete morre em acidente de jet-ski
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segunda-feira, 01 de julho de 2019
Felipe Pereira - Folhapress 
Michael Somutochukwu Uchendu, 21, era um pivô que todos apontavam ser dono de um futuro brilhante e que morreu no sábado (29) em um acidente de moto aquática na represa do Cantareira, em São Paulo. O rapaz já jogava no forte basquete espanhol e esteve no radar da NBA. O nome complicado era consequência de ser filho de um ex-pugilista nigeriano, o que fez ter passaporte do país africano.
Com 2,08 metros, ele virou Maikão. Mas o basquete não estava nos planos dele. O jogador foi descoberto por acaso quando tinha 11 anos e caminhava em um shopping de São Paulo. Sua altura chamou a atenção de Evandro Fabrício, treinador do clube Espéria.
Ele caminhou até Michael para se apresentar e pediu seu telefone. Uma ligação para o pai de Maikão no meio da semana deu início a carreira no esporte. O garoto começou no Clube Espéria e logo se transferiu para o Palmeiras. O fato de ter como pai um ex-atleta profissional transmitiu paixão pelo esporte. Michael nunca pensou em seguir no boxe, mas era fominha por estar na quadra desde pequeno. O clima familiar incentivou a praticar futebol, vôlei, handebol e basquete.
FUTURO INTERNACIONAL
Maikão se destacava pela força física, jogo pesado, jogo de costas, um bom gancho e habilidade no giro e movimentação de pernas. Ele era daqueles pivôs que sempre atacam o aro. Mas o basquete moderno não quer mais pivôs que não sabem jogar fora do garrafão e o jogador trabalhava para melhorar os arremessos de média e longa distância.
E ele tinha estrela. Logo na primeira temporada no Bauru, em 2017, foi campeão do NBB. O ambiente vencedor transmitia confiança e ajudava no desenvolvimento do pivô, mas o elenco de alto nível dificultava entrar em quadra. Naquele ano, foram 27 partidas e média de 5,2 minutos por jogo.
No ano seguinte, Maikão teve uma transferência atribulada para a Espanha. Jogou num clube da segunda divisão de La Coruña e teve um desempenho considerado acima do esperado pela comissão técnica. O plano do clube era aproveitar ainda mais o pivô nos campeonatos deste ano. O jogador ainda chegou a se inscrever no draft da NBA, que ocorreu na última semana, mas desistiu de tentar uma vaga nos Estados Unidos.
Times colegiais americanos fizeram proposta, mas Maikão escolheu continuar no Bauru. Ele seguia a trajetória de outros jogadores, como o também pivô Tiago Splitter, de ir para a Espanha. Splitter se tornou titular da seleção brasileira e ergueu o troféu da NBA. Foi este sonho que o acidente na represa da Cantareira interrompeu.


