São Paulo - Em 27 de março de 2011, Caio Cezar Fernandes entrou na pista do Centro Olímpico, em São Paulo, para disputar mais um torneio estadual. Naquela noite, não imaginava, ganharia uma surpresa da campeã olímpica Maurren Maggi, sua colega de treinos: uma festa de aniversário por seus 18 anos, completados três dias antes. Mas, no lugar da celebração, o jovem saltador passou a noite na emergência do Hospital Albert Einstein.
Caio Cezar, 19 para 20 anos neste 2013, não esquece daquele domingo. Era a grande revelação da vitoriosa escola de saltos do Brasil. Em agosto de 2010, havia conquistado duas medalhas de ouro (no salto em distância e no revezamento medley) na Olimpíada da Juventude, em Cingapura. Se seus resultados continuassem constantes (sua melhor marca pessoal, de 2010, é 7,84 metros), poderia ir ao Pan de Guadalajara, mesmo sendo juvenil.
Mas, em um de seus saltos, Caio Cezar queimou a chance e aterrissou de maneira desequilibrada com a perna direita. O impacto causou estrago do qual só se recupera agora, quase dois anos depois: o joelho girou de tal forma que houve rompimento quase total de ligamentos e tendões. "Na hora em que ele caiu, em 15 segundos saímos da arquibancada para a caixa de areia", lembra o técnico Nélio Moura. "Ele falava para mim: ‘E o meu futuro?’ Nós já sabíamos que a coisa tinha sido gigante."
Maurren, que assistia a competição, ligou chorando para o ortopedista Moisés Cohen - o mesmo que a colocou em condições de hoje, aos 36 anos, continuar na elite do atletismo. Sob os cuidados do médico, veio o diagnóstico de Caio Cezar: só sobraram intactos o tendão patelar e o ligamento colateral medial. O nervo sofreu estiramento, o que tirou temporariamente a sensibilidade e os movimentos do pé. Foram nove meses sem encostar no chão, três meses de cama, período entre duas cirurgias de reconstrução.
Moisés Cohen usou os mais avançados recursos médicos para recuperar o garoto. "A primeira preocupação era devolvê-lo à vida normal. Foi um desafio enorme, mas é muito gratificante vê-lo saltando hoje", diz o médico, emocionado.
Durante o duro período da recuperação, Caio Cezar pensou em desistir do atletismo. Mas recebeu tanto apoio que resolveu lutar. Maurren, que sofreu com uma suspensão por doping e várias cirurgias, era o exemplo próximo. Mas também recebeu uma ligação do meia Paulo Henrique Ganso, outro jovem talentoso que passou por maus bocados.
Caio Cezar não é bom em datas. Não lembra do primeiro dia em que caminhou pela pista do Ibirapuera, assim que recuperou os movimentos do pé. Não sabe quando trotou pela primeira vez. Mas afirma: "Se tem um dia que nunca vou esquecer, vai ser o da minha primeira prova depois da lesão."
Esse dia está próximo - Caio Cezar deve voltar às pistas em março. E o saltador tem um sonho. "Perdi anos maravilhosos, de Pan, de Olimpíada, de Mundial. Por isso quero uma coisa grande lá na frente...", divaga. "Imagina, cara, ser campeão olímpico no Rio? Vão saber da minha história desde o começo, passei pela lesão, e sou campeão olímpico! É uma história muito boa."
Para Nélio Moura, que já viu o improvável acontecer com Maurren, Caio Cezar tem tudo para realizar seu sonho. "O atletismo deve isso a ele", diz o treinador.

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